Após um longo período de trabalho, a Associação dos Amigos do Arquivo Público do Pará (Arqpep) conseguiu aprovação de um edital cultural e fechou contrato de quase 400 mil reais (R$ 390.721,06) com a Petrobrás para financiamento do projeto que vai revitalizar milhares de documentos arquivados no Arquivo Público do Estado. Segundo o diretor do APEP, Eduardo Lobato, é possível encontrar documentos existentes desde o ano de 1649.
Uma coisa é certa: muito da história do Pará será encontrada com a execução desse projeto.
Qual o principal foco do projeto?
Eduardo: O Arquivo Público do Estado do Pará passou anos trancado, oferecendo ao público apenas aqueles documentos já organizados; mas cerca de 50% de sua documentação encontra-se ainda empacotada. O projeto visa a abertura destes pacotes, sendo que todos os fundos existentes no APEP ainda não foram fechados justamente porque nestes pacotes, provavelmente, existem documentos de todos os períodos dos fundos do arquivo. O foco é trazer a tona todos os documentos que se encontram ainda guardados e ainda não foram tratados. Isso é importante principalmente para futuras pesquisas.
Qual o maior desafio do Arquivo para preservar todo esse material que guarda a história do Estado?
Atualmente o principal desafio é minimizar as mazelas impostas pelo tempo e uso dessa documentação, fazemos isso através de tratamentos para preservação, como caixas feitas com papel adequado e a digitalização, que diminui drasticamente a necessidade de utilização dos documentos originais e mantém a informação resguardada. Mas o maior problema para estes documentos hoje é o armazenamento, visto que o prédio não é adequado para tal função.
Qual a importância dos investimentos para preservação e conservação da documentação do acervo do Arquivo?
Os investimentos proporcionaram a aplicação de todos esses recursos mencionados acima, pois somente com eles pudemos reativar o laboratório, compramos os equipamentos para digitalizar e também para confeccionar as caixas, portanto, eles são fundamentais.
Quantas pessoas devem trabalhar nesse projeto patrocinado pela Petrobras? Todos são especialistas na área?
A força de trabalho é toda do APEP, com algumas contratações necessárias de técnicos muitas vezes especializados em atividades afins, contudo, a mão-de-obra e o espaço físico é a contrapartida exigida para a aprovação do projeto. Sendo assim, cerca de 30 a 40 pessoas se envolvem nos trabalhos.
O projeto coloca Belém no eixo da realização de grandes projetos culturais?
Com certeza, ano passado fiz um treinamento onde recebemos a informação de que de o Norte é a região que menos apresenta projetos, e mesmo os que são apresentados não tem qualidade suficiente para obter os recursos. Ainda cabe aí o problema da execução, onde os projetos acabam muitas vezes falhando devido a má execução orçamentária.
A partir do momento que se consegue aprovar o primeiro projeto, acaba se credenciando os demais, pois existem muitos recursos destinados pelas empresas exclusivamente para isso, sendo que geralmente com um projeto bem executado e encerrado adequadamente, com as contas em dia, acaba sempre atraindo novos investimentos, e nesse processo o comprometimento de todos é essencial. (DOL)
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