Para muitos, ele é um salva-vidas: uma possibilidade de conseguir dinheiro emprestado do banco, a hora que quiser, mesmo que não tenha crédito. Mas basta vir a primeira fatura do cheque especial que o encanto acaba. Ele já representa a segunda maior taxa de juros do mercado, perdendo apenas para o cartão de crédito.
Segundo pesquisa mensal da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), os juros do cheque especial passaram de 8,21% em outubro para 8,41% em novembro, a maior desde fevereiro de 2005 (8,43%). No ano, os juros dessa linha de crédito chegam a 163,53%. Para se ter uma ideia, a inflação acumulada nos 11 primeiros meses de 2011 no Brasil foi de 5,97%.
“A vantagem do cheque especial é que ele é um crédito automático. É um valor além do seu saldo, disponível quando o cliente quiser. Mas o que era para ser apenas em caso de emergência, acaba se tornando uma tentação. O empréstimo é ‘fácil’, mas a possibilidade de contrair dívidas também, já que os juros são altíssimos”, explica o economista Hélio Mairata.
Ele explica que os brasileiros têm o hábito de recorrer ao cheque especial para pagar as contas, elevando o custo final dos pagamentos. “Isso quando não estouram o limite do cartão de crédito antes”, afirma. Por isso, recomenda que os consumidores procurem o gerente do banco para contratar um Crédito Direto ao Consumidor (CDC), que oferece juros mais baixos (2,20% ao mês).
O empréstimo consignado é outra boa alternativa. O desconto em folha não pode ultrapassar 30% do vencimento do trabalhador e o teto dos juros mensais é de 2,5%. Quem recebe um salário mínimo não pode tirar empréstimo maior com desconto mensal de R$ 163,50. Mas fique atento, o empréstimo pode comprometer o orçamento na fonte.
Se você já caiu na armadilha, o final de ano pode ser sua salvação. “A carta na manga do trabalhador é o 13º salário”, define o especialista. Ao invés da tentação de gastá-lo nas compras de Natal, ele recomenda utilizar o abono para quitar as dívidas primeiramente.
Para evitar o rolamento da dívida, o cliente deve pedir o cancelamento do cheque especial. Mas antes é necessário que ele negocie a pendências com o banco. “A regra de ouro é: se você puder, não use o cheque especial. Ele é para apagar incêndios financeiros, não para cria-los”, define Mairata. (Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar