O convidado do programa “Argumento” da noite de hoje (19) foi o senador diplomado Jader Barbalho. Apresentado pelo comunicador Mauro Bonna, o programa de entrevistas é transmitido todas as segundas-feiras pela RBA Tv, às 21h30.
O tema mais abordado foi a volta de Jader Barbalho ao senado. Eleito em 2010 com mais de 1,8 milhão de votos, Jader ficou privado de seu mandado durante um ano enquanto o Supremo Tribunal Federal (TSF) decidia se a lei da Ficha Limpa seria aplicada às eleições de 2010 ou não.
A inconstitucionalidade da aplicação da lei para os eleitos em 2010 foi decretada, mas apenas depois de quase um ano de espera o ministro e presidente do STF, César Peluso, decidiu pela liberação da diplomação e posse do senador eleito.
Na quinta-feira passada, Jader Barbalho chegou a Belém e foi recebido em um aeroporto lotado de correligionários e eleitores. A diplomação foi feita de forma informal, na última sexta-feira e a posse está prevista para a partir do dia 28 de dezembro. Com o assunto sendo amplamente discutido, as primeiras perguntas foram sobre esse tema.
A conversa, no entanto, não ficou por aí. Jader falou, sim, da sua eleição, do difícil período em que esperou pela decisão do STF e das expectativas para o futuro no senado, mas também falou da sua história política, do plebiscito sobre a divisão do Pará, sobre a Lei Kandir e sobre Belo Monte.
Experiência e influência
O primeiro bloco do programa foi marcado por agradecimentos e lembranças. Jader Barbalho agradeceu, diversas vezes, ao povo paraense que o elegeu. O senador disse estar feliz, não só com o a posse no Senado Federal, mas principalmente como o povo do Pará que o elegeu, mais uma vez, 45 anos depois do início do seu primeiro mandato.
Quando perguntado sobre as dificuldades enfrentadas no período em que o STF julgava os seus recursos, Jader respondeu com a experiência: “com tanto tempo (de experiência política) eu me acostumei com o enfrentamento. Neste ano aconteceu algo atípico, eu já tinha enfrentado vários tipos de adversários, mas nunca tinha tido como ‘adversária’ uma legislação, ou uma interpretação de uma lei, que proibia a eleição de que havia renunciado um mandato há dez anos. A maior dificuldade foi (durante a campanha) vencer a ideia de que o voto em mim seria um voto nulo, um voto perdido. Por isso me considero ainda mais devedor da amizade do povo paraense que me escolheu”, disse, reforçando que não nutre mágoas de ninguém.
Jader relembrou a sua importância para a atração de recursos para o Pará – “com a experiência e influência que eu tenho em Brasília, evidentemente vou chegar no cenário jogando a favor do Pará.
Plebiscito, Belo Monte e Lei Kandir
No segundo bloco a conversa esteve direcionada para várias questões importantes para a política do estado. Perguntado sobre o plebiscito, Jader não divulgou a sua escolha, mas ressaltou que esteve sempre na defesa da realização do plebiscito, que considera um instrumento necessário à prática da democracia. Ele lamentou, no entanto, que as campanhas tenham perdido a oportunidade de discutir com profundidade os problemas do estado, apelando para campanhas de marketing, baseadas essencialmente no emocional. Ele defende a discussão da divisão enquanto houver necessidade, mas defende, principalmente, uma maior presença dos governos nas regiões afastadas e esquecidas.
A Lei Kandir (que desonera a exportação de matéria prima do estado do Pará) também foi assunto da conversa. “Interessa a poderosos”, disse Jader, mas “precisamos mostrar ao Brasil que o Pará não pode ser exportador das suas riquezas e não ter uma compensação disso que faça com que o poder público tenha recursos para aplicar na melhoria da qualidade de vida”.
O mesmo se dá com relação à construção da hidrelétrica de Belo Monte. O senador é a favor da construção do empreendimento, defendendo, no entanto, que sejam feitas as devidas compensações sócio-ambientais para os municípios da região. “Sou a favor do desenvolvimento do Pará, corrigindo distorções que não foram corrigidas em outras hidrelétricas já construídas”, explica. O senador ressaltou também a necessidade de se lutar pela incidência do ICMS (Imposto sobre circulação de mercadoria e serviços) da energia aqui no Pará, para que quando formos “o maior exportador de energia” o Pará possa lucrar com isso e se desenvolver.
O derrocamento do rio Araguaia também será, segundo o senador, uma prioridade na luta em busca de recursos para o Pará.
Eleições
As eleições para Prefeito e Vereadores, a acontecer em 2012, também foram tema de conversa. Perguntado sobre as estratégias do PMDB no Pará, Jader respondeu que o partido está estruturado para ter candidatos “de Belém a São Feliz do Xingu”, nas suas palavras.
Já quase no fim da entrevista, Jader Barbalho afirmou: “eu tenho duas pátrias: o Brasil e uma outra pátria muito particular, ela se chama Pará”, e desejou um feliz Natal a todos os telespectadores.
(DOL)
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