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Agricultura de baixo carbono ganha financiamento

Na próxima terça-feira, 20, a Prefeitura de Paragominas e o Banco do Brasil vão assinar as primeiras operações de crédito de Agricultura de Baixo Carbono (ABC). O Pará será o primeiro estado da Amazônia a receber este tipo de financiamento. Para isso, os

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Na próxima terça-feira, 20, a Prefeitura de Paragominas e o Banco do Brasil vão assinar as primeiras operações de crédito de Agricultura de Baixo Carbono (ABC). O Pará será o primeiro estado da Amazônia a receber este tipo de financiamento. Para isso, os produtores vão ter de adotar técnicas agrícolas sustentáveis, que reduzam a emissão dos gases do efeito estufa (GEE). Na ocasião, será realizado também o primeiro desembargo de áreas rurais que haviam sido bloqueadas pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) antes do lançamento do projeto Paragominas-Município Verde, por conta, na época, de desmatamento e de irregularidades ambientais.

"Paragominas e seus produtores fizeram o dever de casa. Cumprimos as metas de combate ao desmatamento, incentivamos atividades florestais e produtivas sustentáveis, estamos buscando concretizar nosso pacto local pela busca de produtos legais e sustentáveis, enfim, foi uma série de modificações em um curto espaço de tempo e que mostraram que é possível transformar a realidade econômica de um lugar, basta que para isso tenhamos vontade política, uma sociedade engajada a promover essas mudancas", afirma Demachki.

A linha de crédito para Agricultura de Baixo Carbono (ABC) é direcionada para a produção agropecuária e detém um teto de até 1 milhão por ano, com prazo de pagamento de até 15 anos, com até seis anos de carência. Os juros serão 5,5% ao ano. Segundo o gerente de Agronegócio do Banco do Brasil, Sergio Jesus, a linha estimulará a integração entre atividades do campo e aumentará o potencial produtivo. “A ABC vai potencializar a integração da lavoura com a pecuária e a floresta, e contribuirá com o reflorestamento. Vamos fazer os financiamentos com juros acessíveis em um modelo de produção diferenciada”.

Segundo o pesquisador sênior do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), Paulo Amaral, a modalidade ABC visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) advindas da agricultura e da pecuária. “Ela utiliza técnicas e práticas que estão em harmonia com a conservação ambiental, não invade as Áreas de Preservação Permanente (APP), não derruba florestas, e ainda recupera as áreas abertas. Nos últimos cinco anos surgiram várias alternativas para a ABC, por exemplo, o sistema de produção em Mandala, que conserva produtos em áreas pequenas e em diversidade”.

Em Paragominas, a prática de Agricultura de Baixo Carbono já é utilizada pelo engenheiro agrônomo Bazílio Carloto. Há oito anos ele pratica a atividade de agricultura e já conseguiu implantar a técnica em 50% na propriedade em que trabalha. A meta para 2012 é atingir os 100%. Carloto enumera os benefícios que a modalidade trouxe para o ambiente e os produtores rurais. “A atividade contempla a correção do solo, aumenta a produção vertical e a produtividade. Com ela, evitamos a erosão do solo e semeamos a produção de grãos sem agrotóxicos”.

Desembargos – Durante a cerimônia da assinatura dos financiamentos da ABC, o superintendente do IBAMA no Pará, Sergio Suzuki, com a participação do Ministério Público Federal (MPF), vai realizar os primeiros desembargos de propriedades rurais do Estado. Esta será a oportunidade dos produtores que estão embargados de terem seus nomes retirados da lista de bloqueio do IBAMA, já que cumpriram as metas de combate ao desmatamento e regularização do imóvel.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Paragominas (SPRP), Mauro Lúcio Costa, as propriedades desembargadas cumpriram com o pacto pelo desmatamento, que é uma das premissas do Projeto Paragominas Município Verde (PMV). “Todos os municípios precisa estar com menos de 40 Km² de área desmatada e com pelo menos 80% do território inserido no Cadastro Ambiental Rural (CAR). As propriedades destes municipios terão o embargo suspenso”.

Os embargos pelo IBAMA em vários municípios do Estado foram gerados a partir de 2004, por conta do desmatamento, no entanto, com a Operação Arco de Fogo, iniciada em 2008 pelo governo federal, foram intensificados. Naquela época, Paragominas estava com uma das bases da operação no município, mas com a implementação do projeto Município Verde e a contribuição da sociedade civil e dos produtores rurais o cenário na cidade mudou. “Fizemos o que é certo, o que é sustentável, e porporcionamos aos produtores condições de trabalhos em conformidade com o desenvolvimento sustentável. Dos municípios que naquela época entraram na lista do embargo, Paragominas é o que possui menos propriedades embargadas”, finaliza Costa. (Ascom Paragominas)

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