O esquema parecia perfeito. A carga originária da China passaria pelo Suriname apenas para ser carregada em um navio temporário, de onde, durante a madrugada, seria transposta para uma balsa que vinha do Marajó para Belém. Tudo seria feito no próprio rio, a fim de evitar possíveis fiscalizações. Do porto de Camará, no distrito de Icoaraci, os veículos iriam diretamente para o Sudeste do Brasil, tendo como provável destino a cidade de São Paulo.
O plano, porém, foi descoberto pela Polícia Federal no Pará, que há três dias vinha investigando uma informação colhida pela corporação. Nesta terça-feira (27), às 9h, todos os materiais contrabandeados foram interceptados ao chegarem à capital paraense.
“É uma estratégia nova, porque geralmente as mercadorias entram no país pela estrada. Agora eles estão vindo de balsa, como uma forma de dificultar o trabalho da polícia, já que embarcações do tipo chegam constantemente”, conta Wallame Machado, delegado da PF.
Os quatro veículos, três carretas e uma caçamba continham 80 toneladas de produtos como tênis, roupas e relógios que imitavam marcas famosas. A expectativa é de que eles fossem revendidos por trabalhadores ambulantes em centros populares.
O responsável em receber, gerenciar e descarregar as mercadorias, Luís Carlos Rodrigues, e o designado para a logística da ação, Geraldo Oliveira, foram presos na sede da PF. Eles serão ouvidos e autuados em flagrante. Ninguém quis comentar o caso.
Aproximadamente 20 pessoas que também estavam no local no momento da abordagem foram ouvidas e liberadas. O responsável pela carga em Belém está sendo procurado pela polícia. Segundo a PF, esta não é a primeira vez que o grupo atua nesse tipo de esquema.
Os produtos e os veículos foram encaminhados para a sede da Polícia Federal, para conferência e de lá seguiram para a Receita Federal, que deixará os produtos à disposição da Justiça. Os materiais falsificados, cujo valor ultrapassaria R$ 2 milhões, devem ser incinerados.
(Diário do Pará)
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