No mesmo dia em que a pensionista Alcinda da Silva Menezes veio ao mundo, iniciava também a vida do município onde foi criada durante toda a infância. Enquanto sua mãe lhe dava à luz, no dia 3 de janeiro de 1944, a antes sede distrital do Município de Santa Isabel se transformava no atual município de Ananindeua. Assim como a morada de toda vida, Alcinda comemora a chegada dos 68 anos hoje. Para ela, ambos com muitas conquistas a comemorar.
Quando se mudou da casa da mãe - também no município de Ananindeua - para o bairro da Jaderlândia I, o cenário era bem diferente do atual. As ruas sem asfalto sujavam de lama quem tivesse que passar por ali. Sem sistema de esgoto ou saneamento, as vias e as casas se tornavam abrigo das enchentes constantes. “Aqui era somente invasão. Não tinha água e nem energia”, lembra. “Minha casa era só uma barraquinha de madeira, só tinha um cômodo”.
Ao mesmo tempo em que a dona de casa acompanhava o crescimento da família com o nascimento dos sete filhos, via também a evolução do município que escolheu para criá-los. As ruas foram asfaltadas, a energia e a água chegaram até sua casa e, hoje, ela não consegue imaginar lugar melhor para se viver. “Não pretendo sair daqui nunca”.
SEGUNDO MAIOR
Iniciada através do povoamento da antiga Estrada de Ferro de Bragança, a cidade originalmente ribeirinha abriga, atualmente, quase 472 mil habitantes - de acordo com o último censo do IBGE - e já é o segundo município mais populoso do Pará. Crescimento percebido por Alcinda no dia a dia. “Agora que ajeitaram, está muito bom e muita gente vem pra cá”.
Moradora de Ananindeua há 10 anos, a aposentada Odete de Souza foi uma das pessoas que descobriram as vantagens de morar no município. Antiga moradora do bairro do Jurunas, em Belém, hoje ela aproveita as manhãs para praticar exercício nas praças da Cidade Nova, em Ananindeua. “Eu vim para cá quando minha filha casou e se mudou para cá. Eu gostava do Jurunas, mas aqui é muito bom por causa dessa paisagem. É muito mais tranquilo”.
A paisagem a que ela se refere é tomada pelas árvores que cercam a praça. Elemento presente não apenas na arquitetura do município, mas também em seu nome. Originado do tupi, o nome ‘Ananindeua’ deve-se à presença de uma espécie de árvore que existia na região. “Ananin é uma árvore que existia em abundância em torno da segunda parada do trem que fazia a rota Belém-Bragança, que é hoje Ananindeua, e o ‘deua’ vem do tupi ‘deua’ que significa ‘lugar de’”, explica a pesquisadora e historiadora Lúcia Araújo.
Potencial para crescimento com charme de interior
Moradora do Maguari há vinte anos, a gari Mariane Mota viu em Ananindeua o melhor lugar para criar os quatro filhos e o neto recém-nascido. Servidora da Prefeitura Municipal há dois anos, ela não só acompanha as mudanças que o município vem sofrendo, como também ajuda a preservá-las. “Eu gosto muito daqui porque, por um lado, parece aquelas cidades do interior mais afastadas. Até a temperatura parece que é mais fria aqui”.
Responsável por recolher as folhas secas em algumas das praças do município, ela afirma já ter visto algumas melhoras desde que mora no local. “Aqui na Cidade Nova,tem mais praças, ruas asfaltadas, mais hospitais. Aqui é muito bom de se morar”.
Apesar de morar no centro da capital paraense, é em Ananindeua que há 20 anos o comerciante Alexandre Ribeiro garante a renda da família, com uma loja de material de construção. Ele vê em Ananindeua uma grande possibilidade de crescimento. “O município evoluiu muito, hoje tem muito mais gente na cidade. Aqui não falta mercado”.
É essa atratividade do mercado local que mais agrada a dona de casa Lindomar Alcântara, moradora do município há 30 anos. “Não é preciso sair daqui para nada. Aqui temos tudo”
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar