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Miguel Campos Neto se firma à frente da OSTP

“Eu, como a maioria dos músicos, acreditava que a regência não era uma arte em si. Olhava o maestro como um administrador apenas e isso mudou quando conheci um que provocava uma grande diferença no som da orquestra e que me abriu os olhos”. A confidência

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“Eu, como a maioria dos músicos, acreditava que a regência não era uma arte em si. Olhava o maestro como um administrador apenas e isso mudou quando conheci um que provocava uma grande diferença no som da orquestra e que me abriu os olhos”. A confidência feita acima reflete a sinceridade do jovem Miguel Campos Neto ao contar como iniciou sua carreira na regência.

Violinista formado pelo Conservatório Carlos Gomes e um dos integrantes da primeira formação da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, em 1996, Miguel é hoje, aos 31 anos, o regente oficial da OSTP, algo que lhe dá grande satisfação. “Quando comecei a reger profissionalmente em 2007, fui convidado pela primeira vez para reger a OSTP, que na ocasião era comandada pelo maestro Mateus Araújo. Agora estou há um ano regendo a orquestra oficialmente e tenho orgulho do trabalho de reorganização que estamos fazendo”.

Desde a apresentação em fevereiro do ano passado, um concerto celebrando aniversário de Belém, a OSTP vem colhendo elogios pelas performances cada vez melhores, ainda mais após a grave crise que atravessou em 2009/2010 por questões trabalhistas e salariais.

“Apresentamos-nos na Igreja de Santo Alexandre, no aniversário de 350 de Santarém, no Festival de Ópera e a melhora do desempenho da orquestra vem sendo visível, mas ainda há muito a ser feito. Faltam músicos – a orquestra tem 58 atualmente, e por isso a minha mente está concentrada nesse objetivo, de equiparar a OSTP a outras sinfônicas de nível nacional”, frisou o maestro.

Segundo ele, essa coordenação de corpo e conteúdo que veio fazendo na OSTP faz parte do próprio oficio de regente. “Maestro tem que ter um conhecimento extenso e também um talento físico, por que conheci muitos maestros bons mas que falhavam nesse aspecto, assim como tem aqueles que fisicamente levam bem a orquestra, mas não tem a intelectualidade”, explicou Campos Neto.

“O meu mentor, Edward Dolbashian, que conheci em Missouri, falava que todo regente tinha que saber a teoria de todas as famílias da orquestra. Eu estudei violino que faz parte da família de cordas, então posso avaliar melhor o desempenho dessa família, mas isso não quer dizer que eu desconheça as outras, então é fundamental estudar e alcançar o equilíbrio entre intelecto e físico para ser um grande regente”, resumiu Miguel, que se formou mestre em Regência Orquestra na Mannes College of Music, em Nova York.

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