Tradição na mesa do paraense, o pescado ficou mais caro em 2011. Nos mercados municipais de Belém, os reajustes ultrapassaram a inflação e algumas espécies fecharam o ano com alta superior a 12%. Os dados são do Departamento de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos – Dieese/PA. Essa não é a primeira vez que o produto encerra o ano em alta. Em 2010, o aumento foi ainda maior, variando entre 20% e 50%.
A pesquisa, que analisou o comportamento do preço de 38 espécies de pescado, mostrou que no mês de dezembro o preço da maioria dos peixes apresentou alta em relação ao mês anterior, com destaque para “xaréu” com alta de 13,64%, “gurijuba” com aumento de 13,37 e “pescada amarela” que fechou o ano com 12,59% de reajuste. As espécies preferidas pelos paraenses como a “piramutaba”, o “filhote” e o “mapará”, apresentaram alta de 2,87%, 9,45% e 8,7%, respectivamente.
Diferença rapidamente notada pelo dentista Reinaldo Flamino, que consome o produto pelo menos uma vez por semana. “Eu calculo um aumento na ordem de R$ 3 no preço do quilo nesses últimos meses. Tenho certeza que esse aumento não é reflexo de um repasse do pescador, aumenta é por aqui mesmo”, aposta seu Reinaldo, referindo-se ao estabelecimento comercial. Para o supervisor do Dieese- PA, Roberto Sena, a presença de atravessadores ajuda a explicar a elevação dos preços.
“Entre o pescador e o consumidor há uma grande distância espacial e de preço. Um negócio onde quem lucra é apenas o atravessador. Esse fato aliado às políticas de pesca ainda muito novas, não só no Estado como no país, explicam os números da pesquisa”.
Segundo maior produtor de pescado no Brasil, o Pará produz ao ano uma média de 180 mil toneladas de peixe, mesmo assim, as altas nesse período repetem-se ano a ano. “A partir de novembro, a mudança de águas provoca mudança na produção. O ideal seria manter um estoque regulador, mas o Estado ainda não tem estrutura para isso. Por enquanto temos que trabalhar com essa sazonalidade. A partir de março o preço tende a se estabilizar”, justifica o secretário de Estado de Pesca e Aquicultura, Henrique Sawki.
AÇAÍ
Outro item tradicional, o açaí também está em escala de ascensão de preço. “Em 2010 era possível comprar a lata do açaí por R$7, no ano passado houve um salto e a mesma medida passou a ser vendida por R$ 25. Com o aumento não há outra alternativa senão repassar para o consumidor. Mesmo sendo um entreposto, Belém é o município paraense onde o litro do açaí custa mais caro”, explica Marivaldo Ferreira, presidente da Associação do Batedores de Açaí.
Na capital é possível encontrar o produto de R$ 8 a R$ 11 o litro. Para não perder a freguesia no bairro do Guamá, Benedito Ferreira mantém o preço mais baixo, porém altera a espessura. “O açaí está mais caro mesmo, e dependendo do dia, fica mais caro ainda. Anteontem, por exemplo, deu superalto o preço, ontem ficou melhor”.(Diário do Pará)
Pescados que tiveram maior variação de preço em 2011
• Bagre com alta de 25%
• Pescada Amarela com alta de 15,48%
• Piramutaba com alta de 12,17%
• Gurijuba com alta de 12,14%
• Pescada Branca com alta de 11,08%
• Filhote com alta de 9,82%
• Pratiqueira com alta de 9,19%
• Pirapema com alta de 5,26%
• Tainha com alta de preço acumulada no ano de 4,13%.
Pescados com maior variação de preço em dezembro de 2011
• Xaréu com alta de preço de 13,64%
• Gurijuba com alta de 13,37%
• Pescada Amarela com alta de 12,59%
• Pescada Branca com alta de 12,57%
• Filhote com alta de 9,45%
• Pescada Gó e Tainha ambos com alta de 9,02%
• Mapará com alta de 8,70%
• Cação com alta de 8,00%
• Dourada com alta de 7,16%
• Tucunaré com alta de 7,10%
• Pirapema com alta de 7,07% (Fonte: Dieese/PA)
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