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Mulher tem bebê dentro do ônibus

Passageiros que viajavam no ônibus da linha Transbrasiliana, pela manhã de ontem, presenciaram ao vivo o parto normal da pequena Ketelen Jesus Viana que não conseguiu esperar a chegada ao hospital para vir ao mundo. Mesmo tendo completado 9 meses de gravi

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Passageiros que viajavam no ônibus da linha Transbrasiliana, pela manhã de ontem, presenciaram ao vivo o parto normal da pequena Ketelen Jesus Viana que não conseguiu esperar a chegada ao hospital para vir ao mundo. Mesmo tendo completado 9 meses de gravidez, no último dia 2, a mãe da criança, Elivalda Gonçalves de Jesus, 23, não esperava gerar a filha, ontem.

Passageiros do coletivo ajudaram no parto e o motorista do ônibus parou no Hospital de Urgência e Emergência do município de Marituba para ajudar Elivalda.

A moça é moradora de uma localidade ribeirinha chamada Baixo-Moju, próximo a Barcarena. Após os momentos de dor e sufoco, já com a filha no colo, Elivalda conversou com a equipe do DIÁRIO, na tarde de ontem, e contou o que passou para ter Ketelen. As dores iniciaram na madrugada de ontem, mas optou em ficar calada para não incomodar ninguém da família.

Pela manhã, ela resolveu falar aos familiares e decidiu vir a Belém, na companhia da prima Fabiana de Souza Leal. Os nove meses de gestação foram completados no último dia 2 e de forma inocente Elivalda declarou que achava que fosse controlar o organismo e conseguiria chegar a tempo ao hospital. “Eu pensei que fosse ter tempo, nunca imaginava ter a minha filha no ônibus, foram minutos de muito sufoco”, descreveu Elivalda, que pegou o ônibus por volta de 8h, na Alça Viária. “Ela começou a falar que não ia dar tempo de segurar a filha, aí comecei a me desesperar e pedi para o motorista tentar ir mais rápido e o pior que ele estava lotando o ônibus, toda hora ele parava em um ponto, aí que eu me desesperei”, declarou Fabiana. E realmente não teve como segurar, Elivalda deu à luz na poltrona do coletivo e uma senhora que estava sentada ao lado segurou a sua filha por primeiro. Enquanto isso, os passageiros do coletivo vibravam e registravam o momento com seus telefones celulares.

A criança foi embrulhada em uma toalha e o cordão umbilical só foi cortado após o motorista do coletivo entrar no Hospital de Urgência e Emergência de Marituba, quando enfermeiros prestaram ajuda à mãe e filha. A criança foi a primeira a ser socorrida, em seguida, foi Elivalda. Ontem mesmo mãe e filha foram transferidas para o hospital Divina Providência, onde passam bem e têm previsão de alta para hoje.

Elivalda não é mãe de primeira viagem, ela já tem uma filha de três anos e na primeira gestação ela só foi ao hospital quando já estava sentindo dores. “Na minha primeira filha fiz a mesma coisa, mas deu tempo de chegar na urgência do hospital”, relembrou a mãe. Na segunda gravidez, ela só iniciou o pré-natal no quinto mês de gestação. E disse que optou em ter a filha em Belém por ter mais recurso e familiares por perto.

SUSTO
Em seis anos de profissão, o motorista Michael Alencar de Souza, de 26 anos, ainda não havia passado por uma situação tão inusitada como o nascimento de uma criança no interior do ônibus do qual ele era o condutor. Ele relatou que Elivalda Gonçalves entrou no ônibus às proximidades da ponte do rio Moju e sem apresentar qualquer problema.

Michael prosseguiu a viagem até chegarem próximo da barreira da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), já em Marituba, quando foi alertado pelos gritos dos passageiros. O cobrador do ônibus da empresa Transarapari, Bruno Souza de Moares, de 22 anos, relembra que os passageiros diziam: “Estourou a bolsa! Estourou a bolsa!”.

O motorista contou que os passageiros ficaram agitados, mas mesmo assim decidiu seguir em frente com o veículo e os passageiros passaram a ajudar a Elivalda. “Mas foi Deus mesmo quem ajudou. Quando foram ajudar a senhora, a criança já estava saindo. Já saiu chorando e não teve esse negócio de tapinha não”, brincou.

Após passarem pela barreira da PRF, Michael conta que não parou para mais nenhum passageiro. O ônibus seguiu com os passageiros direto para o Hospital de Urgência e Emergência de Marituba, onde mãe e filha receberam o atendimento médico necessário. Só então motorista, cobrador e os demais passageiros seguiram a viagem para Belém. (Diário do Pará)

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