Quando as cidades aniversariam é natural que exaltemos suas belezas naturais, culturais e sociais. E dia de dar parabéns, é claro. Mas quem vive numa cidade como Belém, com uma cultura rica, diversidade inigualável e um povo hospitaleiro, não pode fechar os olhos a problemas crônicos que perpassaram por gerações e por várias administrações – do Estado e do município -, e que hoje continuam a deixar nossa cidade um pouco mais distante do que é considerado o ideal de uma grande metrópole em desenvolvimento.
O DIÁRIO ouviu alguns especialistas, estudiosos da nossa cidade, e que dela fizeram seu meio de vida, para falar dos principais problemas que hoje afligem a capital, nas áreas econômica, social, de transportes e saneamento. São pessoas que acima de tudo amam Belém, mas que procuram alertar o poder público para entraves que, se resolvidos, poderiam deixar nossa cidade mais bela.
Paulo de Castro Ribeiro, professor de Arquitetura da UFPA e Unama e especialista em transportes, aponta que a mobilidade urbana é um desses entraves. “Nesse aspecto, Belém hoje não tem o que comemorar, pois se encontra à beira de um colapso por não ter feito, ao longo dos últimos 30 anos, nada que efetivamente acompanhasse seu crescimento demográfico e territorial”, aponta
O transporte coletivo, segundo ele, tem a mesma concepção operacional do início do século passado, com todas as linhas indo ao centro, acelerado crescimento da frota de veículos privados, piorando as condições de mobilidade nas áreas mais centrais e principais corredores. “Não há mais espaço para circular ou estacionar, alem da total desatenção para alternativas mais econômicas como a bicicleta”.
Diante deste cenário sombrio, ele afirma que a ação prioritária para melhoria da mobilidade em Belém é a implantação de um sistema integrado de transporte metropolitano, reduzindo o número de ônibus no centro sem prejuízo dos usuários das periferias. “Este sistema não deve ser municipal, e sim metropolitano. Precisa haver entendimento entre as administrações municipais da RMB, além da participação do Estado, capaz de aportar recursos necessários para alavancar projetos dessa magnitude. Este, me parece, tem sido a maior dificuldade para execução deste projeto”. Com o sistema implantado, poderá se regular a circulação de veículos privados no centro e principais corredores, bem como expandir a rede na periferia com linhas alimentadoras e, ainda, implantar uma rede cicloviária continua e racional. (Diário do Pará)
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