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Apesar da pobreza, cidade da poesia

A Belém que hoje completa 396 é uma cidade de contrastes como a maioria das metrópoles brasileiras. Beleza, poesia, pobreza e desorganização disputam espaço naquela que ainda hoje é chamada de porta de entrada da Amazônia. Não é difícil encontrar exemplos

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A Belém que hoje completa 396 é uma cidade de contrastes como a maioria das metrópoles brasileiras. Beleza, poesia, pobreza e desorganização disputam espaço naquela que ainda hoje é chamada de porta de entrada da Amazônia. Não é difícil encontrar exemplos de uma Belém que encanta turistas, é cantada em verso e prosa e defendida com garra por moradores apaixonados: casarões da Cidade Velha, túneis de mangueiras, praças, a famosa chuva das duas, cada dia mais imprevisível.

Essa mesma Belém abriga os alagamentos que fazem a infelicidade de milhares de belenenses em todos os invernos, o lixo acumulado até mesmo nas ruas mais centrais e a ocupação irregular do espaço urbano. Às vezes, é preciso um olhar aguçado para, em meio a tantos problemas, não perder de vista a beleza de uma cidade que, apesar de maltratada, nunca perdeu seu charme.

A jornalista Daniela Damaso, 36 anos, nasceu no Pará, morou fora de Belém por mais de cinco anos, mas decidiu que criaria os filhos na capital paraense. Há quase seis anos, está de volta à cidade. Como tantos paraenses que nasceram na capital, ela é uma apaixonada pela cidade e procura sempre aproveitar o que Belém oferece, bem distante daquele discurso surrado de que a cidade não oferece opções de lazer e diversão.

“Amo a produção musical que vai do rock ao brega, a gastronomia sempre inovadora e única no Brasil e, em especial, a alegria dos belenenses”, diz a jornalista afirmando que ainda hoje, apesar de morar há tanto tempo na cidade, ainda se flagra apreciando as belezas naturais. “Há programa mais gostoso do que pegar um barco e almoçar um peixe do outro lado do rio?”, indaga.

Para Daniela, o que depõe contra a capital é a sujeira. “É desagradável para quem mora e quem visita Belém ver lixo pelas ruas e a falta de sinalização (placas indicando ruas e monumentos)”, critica afirmando que também sente falta de mais “janelas” para os rios e eventos culturais gratuitos.

O advogado Lafayette Nunes também reclama da falta de limpeza na cidade e, provocado a dizer o que mais gosta e mais odeia na cidade, diz que a dor e a delícia de Belém estão, ao mesmo tempo, em sua população, segundo ele, digna de elogios e agravos. “O belenense consegue ser, ao mesmo tempo, hospitaleiro (elogio) e um ‘sujismundo’ (agravo). Gosta de receber bem seus visitantes, mas joga sofá, fogão velho e até sucata de carro nas ruas e canais da cidade. Se, por um lado, briga por cidadania, como no caso das manifestações contra a corrupção, por outro, estaciona em fila dupla, para o carro sobre a faixa de pedestre, entre outras incivilidades. Somos as duas faces da mesma moeda”, afirma.

MONUMENTOS

Nas redes sociais, a arquiteta Cláudia Nascimento costuma atuar como uma ativista em defesa da cidade e do bom uso dos espaços públicos. Para ela, o melhor de Belém é sua história gravada em prédios, ruas e monumentos. ”Gosto dos lugares que contem um pouco da nossa história como o arquivo público e o museu Emílio Goeldi”. A arquiteta destaca ainda entre os pontos positivos a solidariedade dos paraenses. “O difícil é sair da inércia, mas quando assume uma causa, é pra valer”.

Para Cláudia, o ponto negativo da aniversariante está na gestão pública. “Falta mais diálogo com a sociedade civil na tomada de decisões que podem mudar a cara da cidade. Tudo é feito de maneira muito arbitrária. Não há diálogo”.
Também arquiteta, Luciana Fajardo diz que o melhor de Belém está em sua natureza “exuberante”. “Amo as cores de Belém e o sorriso acolhedor do nosso povo”, elogia. E como a maioria dos moradores da cidade também reclama da falta de cuidado com essa joia rara que é Belém. “Fico triste com a maneira com essa maravilha que temos nas mãos é tratada”, lamenta. (Diário do Pará)

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