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Recantos da cidade marcam destinos

O estilo arquitetônico e a imponência não deixam dúvidas, o palacete localizado na rua Doutor Assis, no bairro da Cidade Velha, é mais um espelho da história vivenciada por Belém durante os tempos áureos da Belle Époque. Hoje parte do patrimônio da capita

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O estilo arquitetônico e a imponência não deixam dúvidas, o palacete localizado na rua Doutor Assis, no bairro da Cidade Velha, é mais um espelho da história vivenciada por Belém durante os tempos áureos da Belle Époque. Hoje parte do patrimônio da capital paraense, na época em que a cultura europeia era a principal inspiração dos grandes casarões familiares de Belém, as grandes salas e quartos do Palacete Pinho foram palco das travessuras de dois irmãos.

As lembranças que vêm à memória estão relacionadas a cada elemento que compunha o casarão em meados de 1955.

Apesar de completamente vazio hoje, nas recordações dos irmãos Fernando e Paulo Pinho, os móveis e lustres importados da Europa ainda estão presentes em cada cômodo do casarão. São parte da história vivida pelos dois quando moraram na casa construída em 1987 pelo bisavô, o então comendador Antônio José de Pinho, junto com a irmã, os pais e duas tias-avós.

“No salão de festas tinham uns lustres de cristal enormes. Tinham umas bolinhas de cristal penduradas neles que, de vez em quando, caíam. Eu e meu irmão não contávamos nada e as usávamos para brincar de peteca”, lembra Fernando, o irmão do meio. “As bolinhas não quebravam, sequer arranhavam. Nós saíamos para brincar com os colegas e as bolinhas quebravam as petecas de vidro. Eles perguntavam ‘onde vocês compraram essas petecas indestrutíveis? ’”.

Além das peraltices compartilhadas, na maioria das vezes dentro dos grandes salões da casa, os irmãos ainda aprontavam aos redores do palacete. “Antigamente, a Doutor Assis não tinha automóvel. Só tinha bonde. Pegávamos vidro e colocávamos nos trilhos do bonde para fazer cerol de papagaio”, lembra Fernando em meio a risos.

Já as lembranças que vêm à mente de Paulo, são motivadas a cada passo em direção a entrada do prédio, restaurado recentemente. “Quando a gente chegava aqui, já sentia o cheiro dos jasmins brancos da tia Zita”, narra. “Aqui, nesse pedaço, ficava o passarinho do Tio Dudu. Da escada eu só lembro do ‘toc-toc’ da bengala dele”.

As experiências vivenciadas por Fernando no casarão duraram 12 anos, desde seu nascimento até a idade em que teve que se mudar com a mãe e os irmãos em decorrência da morte prematura de seu pai aos 37 anos.
“Meu pai faleceu e minha mãe teve que assumir a família. Nossa mãe resolveu sair de lá porque era muito pesado para três crianças”.

Paulo se despediu do local aos nove, mas continuou a frequentá-lo por algum tempo, antes do casarão ser vendido após a morte das tias em 1973. “Depois que fomos embora eu ainda vinha aqui depois do colégio para tomar o ‘caldo da morena’.

Era uma cozinheira que tínhamos na época”, sorri.

Oportunidades de vida e sustento com endereços certos

Foi no recanto de muitos pássaros que a orientadora de público Jéssica Nogueira conquistou o primeiro emprego aos 17 anos. Inaugurado no mesmo dia do aniversário de Belém, o Mangal das Garças passou a ser, para ela, não apenas um ponto turístico da cidade, mas também parte de sua história.

Antes de ver o local como ponto de passeio, o parque, que já é referência turística em Belém, virou local de trabalho. Há uma semana como funcionária do Mangal, o lugar, antes desconhecido por ela, hoje possui lugar de destaque em seu dia a dia. “Eu não conhecia o Mangal. Conheci agora, quando vim trabalhar, e a primeira impressão que eu tive foi de que aqui é um lugar ótimo para se trabalhar”.

Antes de ser contratada pela empresa que gerencia o parque, Jéssica já havia trabalhado como ‘aprendiz’ em outro ponto de referência da cidade, a Estação das Docas. Porém, foi no Mangal que a jovem teve a certeza de que havia conquistado seu lugar no mercado de trabalho. “O ambiente do trabalho aqui nos tranquiliza bastante. Além de o Mangal ser um pouco de Belém, da natureza daqui”.

GANHA-PÃO

Já para o autônomo José Benedito Moraes, é o bairro de Nazaré que marca sua vida diariamente. Foi na esquina da Av. Governador José Malcher com a Av. Generalíssimo Deodoro que o vendedor conseguiu meios de garantir o estudo das quatro filhas, além do sustento da família, cuja renda depende diretamente da venda de castanha.

“Minhas filhas terminaram os estudos graças a essa venda que sempre ficou aqui no bairro de Nazaré”.

Há 13 anos no local, para ele, a venda que construiu ao lado da mulher, Vera Lúcia, já se tornou parte do cenário da via, assim como da história da cidade.

“As pessoas já vêm certo, porque sabem que aqui, nesse lugar, a gente vende castanha. Tem gente que até manda buscar”, afirma ao lembrar que começou a vender o produto aos 30 anos. “Quando eu vejo isso aqui, lembro das minhas conquistas e do que ainda pretendemos conquistar”.(Diário do Pará)

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