Brenda Figueiredo não ouviu seu nome na rádio, enquanto acompanhava o listão do curso à que concorreu na Universidade Estadual do Pará - licenciatura em letras. Ao consultar a lista na internet procurando por nomes conhecidos, ela foi surpreendida. “Quando vi meu nome foi engraçado, não estava esperando. Aí foi ovo o dia inteiro”, conta a estudante.
Diferente de muitos, Brenda não se preparou em cursinho pré-vestibular.
Aluna da escola Orlando Bitar, o único reforço feito acontecia às terças e quintas-feiras quando acompanhava aulas extras de química, física, matemática e redação no próprio colégio. “Não pude fazer cursinho porque tenho uma irmã gêmea. Ficaria muito pesado para a minha mãe pagar. Estudava só em casa e no colégio mesmo”, explica a jovem.
Estudante de escola pública desde o início de sua vida educacional, Reginny Vieira teve dúvidas de que havia passado no vestibular de 2012 da Universidade do Estado do Pará (Uepa) mesmo após ter ouvido seu nome no rádio. Interessada em uma vaga no curso de pedagogia e com dúvidas sobre a aprovação no processo seletivo, a atual caloura só se convenceu da vitória após checar mais uma vez seu nome no listão disponibilizado na internet. “Eu pensava que não era eu”.
A vitória, para quem enfrentou dois meses de greve dos professores que só terminou a poucos dias da prova do vestibular, tem sabor especial. Segundo Reginny, a dificuldade de acreditar que o nome lido pelo radialista era o seu se deu pelas dificuldades enfrentadas durante o período sem aulas regulares. “Com certeza, é uma vitória e tanto. Quando me convenci, eu gritei, me jogaram ovo... foi uma festa só”.
Apesar de estar concluindo o ensino médio na Escola Estadual de Ensino Médio Visconde de Souza Franco – mesmo após a aprovação no vestibular, Reginny ainda está fazendo as últimas provas para concluir o ensino médio em decorrência da extensão do ano letivo por causa da greve -, ela acredita que não teria conseguido passar no vestibular se tivesse dependido apenas das aulas da rede pública de ensino.
“Além das aulas no Colégio Souza Franco, fiz cursinho e curso de redação”, afirma. “Se não fosse o cursinho, acho que não teria passado”.
Além das atividades auxiliadas pelos professores, Reginny afirma que ainda dedicava uma parte de seus finais de semana para que conseguisse êxito no primeiro vestibular que concorreu na vida. Fora a greve enfrentada no final do ano passado, a estudante disse não ter enfrentado grandes dificuldades.
“O maior problema foi a greve. Tirando ela, o ensino na minha escola é muito bom”. Com a vaga garantida para o curso de sua escolha, a caloura se dedica, agora, à conclusão do ensino médio. “Estamos tendo aulas nos sábados para repor e vou fazer a terceira avaliação adiantada. Vai ser a semana toda de dedicação para conseguir terminar o ensino médio antes da matrícula da Uepa no dia 18”.
De acordo com o Diretor do Ensino Médio da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), José Roberto da Silva, a maioria dos alunos aprovados no vestibular da instituição deste ano é da rede pública de ensino. Feito atribuído, entre outras coisas, aos programas apresentados pela secretaria ao longo do ano.
“Na capital, representamos 54,22% das vagas ofertadas e, no interior, 36% do total de vagas foram preenchidas por alunos da rede pública”, destaca. “Isso demonstra o trabalho que vem sendo desenvolvido pela secretaria como é o caso do Pró-Enem que foi um programa que previa aulas complementares para a preparação para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio)”. Segundo ele, as aulas complementares do Pró-Enem duraram quatro meses e beneficiaram cerca de quatro mil estudantes em todo o Estado do Pará. De qualquer modo, o diretor reconhece os esforços mantidos individualmente pelos alunos através de aulas paralelas.
“É necessário uma gama de esforços para que se tenha êxito. Há de se reconhecer que, na medida do possível, os pais vêm fazendo um esforço para colocar os filhos em cursinhos pagos também”, afirma. “Não é só mérito de ‘A’ ou ‘B’, é um mérito coletivo”.
O esforço coletivo que agregou as aulas da rede pública de ensino com o cursinho particular e com as horas de estudo em casa foi o que levou o estudante Jobson Silva à aprovação no curso de educação física no vestibular da Uepa. A rotina de era tão intensa que os estudos só terminavam às 0h de cada dia.
“Foi muito puxado, mas usava os finais de semana para descansar”, lembra. “Foi a primeira vez que eu fiz o vestibular e eu estava confiante porque a equipe da minha escola é muito boa, mas o cursinho também ajudou muito a tirar dúvidas”.
EM NÚMEROS
52% dos aprovados no vestibular da Uepa foram alunos da rede pública de ensino, de acordo com a própria instituição.
27 alunos aprovados no vestibular da instituição estudaram no Colégio Estadual Paes de Carvalho. Segundo a Seduc, o colégio foi um dos que apresentaram o maior número de aprovação na capital.
84 alunos do Colégio Estadual São Francisco Xavier, localizado no município de Abaetetuba, foram aprovados no processo seletivo da Uepa, segundo a Seduc. (Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar