Será enterrado hoje às 9h, no cemitério do Tapanã, o menor P.W., 13 anos, vítima de bala perdida na última quarta-feira, no bairro da Sacramenta. O corpo do jovem foi velado durante toda a noite de ontem nas dependências de uma associação comunitária, localizada em frente à residência da família, no bairro da Sacramenta, onde ele morava com a mãe e mais seis irmãos.
Ainda abalado com a tragédia, Wallace Rafael, de 18 anos, irmão do garoto, tenta organizar os trâmites burocráticos e dar apoio à mãe ao mesmo tempo em que aguarda a punição do culpado. “Foi uma ação completamente irresponsável, que não levou em conta todas as crianças que estavam no local”, comentou. Os demais familiares preferiram não falar sobre o assunto.
P.W. foi atingido enquanto brincava com amigos próximo à sua casa. O disparo foi feito durante uma suposta perseguição entre um policial militar e dois assaltantes. O jovem foi internado no HSM do bairro do Umarizal, mas não resistiu e faleceu na tarde de quinta-feira.
A versão, porém, é desmentida pela tia da vítima, Dulcineia Oliveira, que apenas fez questão de dizer que “não teve troca de tiros, foi só um tiro”.
“Era um menino muito bom”, diz a vizinha Clarisse Monteiro Correa, uma das poucas pessoas que se dispuseram a falar sobre o assunto. Ela contou que foi o filho dela quem socorreu o garoto que acabou não resistindo ao tiro que lhe acertou a cabeça.
O tiro teria sido disparado de cima de uma lombada, nas proximidades da casa do garoto que estava empinando uma pipa, olhando para cima e não percebeu a movimentação ao seu redor.
Segundo moradores, o policial militar Daivison Chaves Brandão, 30, acusado de ser o autor do disparo que matou o garoto, não mora no bairro. Ele estaria ajudando na demolição de uma casa nas proximidades quando foi alertado sobre a ação dos bandidos, iniciando uma perseguição que terminou com a morte de um inocente.
Os moradores também afirmaram que Diony William da Costa Oliveira, vulgo “Cara de Raquete”, 22, preso como suspeito de ter realizado o assalto que resultou na morte do garoto, não seria o autor do delito.
O caso é apurado na 1ª Seccional Urbana da Sacramenta, onde o delegado Goldenberg Souza ouviu o depoimento do PM Daivison Chaves Brandão, que trocou tiros com os criminosos. O policial militar declarou à polícia que efetuou o disparo para se defender dos bandidos, que estariam indo na direção dele. A arma que ele usava, uma pistola 380, foi encaminhada para perícia de microbalística no Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, para ser comparada com o projétil que foi retirado da cabeça do garoto. O laudo que comprovará de qual arma partiu o tiro deve sair em até 30 dias. O autor do disparo responderá por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
DOAÇÃO DE ÓRGÃOS
Apesar do consentimento familiar, os órgãos do menor P.W, 13 anos, vítima de baleamento, que estava internado no HPSM Mário Pinotti (Umarizal), não puderam ser doados. A Secretaria Municipal de saúde (Sesma) informou que o paciente apresentava quadro de hipotermia (temperatura do corpo inferior a 35ºC), o que o impedia de iniciar o processo de doação de órgãos. O menor precisou ser mantido no Pronto-Socorro para uma tentativa de estabilização de seu quadro, o que não aconteceu, pois o corpo não conseguiu atingir a temperatura necessária para manter a integridade de seus órgãos e para que pudesse ser realizada sua remoção para o Ophir Loyola. (Diário do Pará)
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