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Desabamento do Real Class completará um ano

Na tarde do dia 29 de janeiro de 2011, um sábado chuvoso na capital paraense, um gigante de concreto desabou e marcou a história da cidade, que não via nada parecido desde 1987, quando o edifício Raimundo Farias foi ao chão, matando 40 operários. O edifí

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Na tarde do dia 29 de janeiro de 2011, um sábado chuvoso na capital paraense, um gigante de concreto desabou e marcou a história da cidade, que não via nada parecido desde 1987, quando o edifício Raimundo Farias foi ao chão, matando 40 operários.

O edifício Real Class, da construtora Real Engenharia, que estava sendo construído na travessa Três de Maio, entre as avenidas Governador José Malcher e Magalhães Barata, desmoronou por volta das 14h.

Em segundos, os 32 andares viraram escombros. Carros e pessoas foram soterrados, outras ficaram feridas. Três pessoas morreram e cerca de 100 famílias ficaram desalojadas. A estrutura de casas e edifícios próximos ao local foi atingida.

Para lembrar o primeiro ano da tragédia, a Associação dos Moradores da Travessa Três de Maio fará um ato público no próximo dia 29, a partir das 8h30, em frente ao terreno onde ficava o Real Class.

A programação terá um ato ecumênico, café da manhã, leitura do manifesto “Amar Belém: justiça e paz”, pronunciamentos, atividades esportivas e de lazer, sessão audiovisual e intervenção musical. O encerramento será está previsto para as 13h.

Os moradores da travessa não querem que outro prédio seja construído no local. Eles desejam que o espaço se torne um bem público, para ser utilizado por todos, e que tenha um monumento em homenagem às vítimas.

MOBILIZAÇÃO

Defesa Civil, Exército, Cruz Vermelha, Samu, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Fuzileiros Navais se mobilizaram para auxiliar nas buscas e auxiliar os atingidos. Cães farejadores também foram utilizados na procura pelos corpos.

Foram seis dias de buscas para encontrar os corpos das vítimas - a moradora de uma casa vizinha ao prédio, Raimunda Ribeiro Fonseca, e os dois operários, Manoel da Paixão e José Barros.

O Real Class já estava com 70% dos apartamentos vendidos. Ele começou a ser construído em 2008 e seria entregue no final do ano de 2011. Eram 60 apartamentos, com 122 m² e três suítes, vendidos a R$ 500 mil cada.

Antes do desabamento, o Ministério Público já havia recebido inúmeras denúncias de moradores das proximidades sobre supostas irregularidades na construção do prédio e a obra foi embargada e interditada três vezes.

Dentre os problemas, estava a queda de material da construção, como pedras, em cima da residência vizinha e a falta de segurança dos trabalhadores.

O RECOMEÇO

Foram seis dias de interdição da travessa Três de Maio. Durante este período, os moradores dos três prédios e casas vizinhas tiveram que sair de seus imóveis. Mas algumas famílias chegaram a ficar dois meses em hotel. Todos os gastos foram custeados pela Real Engenharia.

No dia 8 de fevereiro de 2011, cerca de 30 funcionários da construtora fizeram uma vistoria e iniciaram os trabalhos de reparação nas mais de 40 residências atingidas.

O trauma causado pelo susto fez com que muitas pessoas ficassem com medo de voltar, principalmente os moradores do prédio Blumenau, localizado à direita do Real Class, que foi evacuado e no momento da saída das pessoas, estalou, deixando todos em pânico. O edifício foi liberado pelo Centro de Perícias Científicas Renato Chaves no dia 24 de fevereiro.

O LAUDO

Após o susto, entender a causa do desabamento era fundamental. Para garantir que nenhuma informação fosse omitida, o escritório da Real Engenharia foi lacrado na noite do dia 30 de janeiro, até que o mandado de busca e apreensão fosse cumprido.

Com menos de dois meses, um laudo técnico, produzido pelo Grupo de Análise Experimental de Estruturas e Materiais da UFPA, e encomendado pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-PA), apontou que a causa seria um erro de cálculo estrutural, sob responsabilidade do engenheiro calculista Raimundo Lobato da Silva.

Segundo o laudo, o prédio não suportou a força do vento e o peso da estrutura de concreto já construída. Além disso, os pilares do térreo seriam estreitos demais, apresentando ruptura bruscas e fissuras.

O laudo oficial, dos peritos da Engenharia Legal do CPC Renato Chaves, constatou que a principal causa do desabamento foi a utilização de estribos com seção menor que o previsto para o cálculo de um prédio com aquela dimensão.

DOCUMENTÁRIO

A queda do Real Class virou filme. Vitor Souza Lima, de 26 anos, foi o responsável pela criação do documentário “Real”, lançado quase oito meses depois do fato.

A obra contou com a produção da produtora paraense Greenvision, em parceria com a Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas do Pará (ABDeC-PA) e o Circuito Fora do Eixo.

(DOL)

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