plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 25°
cotação atual R$


home
NOTÍCIAS PARÁ

Estudantes caminham pela paz no Bengui

A cor branca estampada em balões e faixas, já deixava claro o que levou alunos e professores de três escolas do bairro do Bengui às ruas na manhã de ontem. Preocupados com os altos índices de violência no bairro – quadro evidenciado pela terceira matéria

twitter Google News

A cor branca estampada em balões e faixas, já deixava claro o que levou alunos e professores de três escolas do bairro do Bengui às ruas na manhã de ontem. Preocupados com os altos índices de violência no bairro – quadro evidenciado pela terceira matéria da série ‘Territórios da Violência’, publicada no último domingo no DIÁRIO -, crianças e adultos se uniram em caminhada pedindo paz e o fim da violência.

Segundo a diretora da Escola Cidade de Emaús, que teve a iniciativa de organizar o evento, Vânia Mendes, a ideia da caminhada era trabalhar a prevenção à violência no bairro. “Essa caminhada é para integralizar a comunidade e a escola. Vamos trabalhar com a prevenção para que situações de violência não aconteçam”.

À frente da instituição há dois meses, Vânia disse que a escola não apresentou, até hoje, nenhum caso de violência grave. De qualquer modo, ela afirma que a iniciativa foi bem recebida por pais e alunos não só da Cidade Emaús. “A receptividade foi muito boa, tanto que as crianças compareceram. Ainda se integraram ao movimento as escolas Waldomiro Rodrigues e São Clemente”.

LUTA
Funcionária da escola há mais tempo e moradora do bairro, a professora de educação geral, Anacleta Gomes, recebeu a proposta de realizar a caminhada como uma forma de lutar contra a violência vivenciada dia-a-dia. “A violência está em todos os lugares. É uma desestrutura tanto das famílias quanto do poder público. Estamos em um bairro que não tem um espaço de lazer”, afirma ao ressaltar a importância do combate à violência entre os jovens.

Ao longo do trajeto que percorreu algumas ruas do Bengui, com saída da rua Yamada, a professora lembrou o destaque do bairro dentre os mais violentos da cidade pelo DIÁRIO. “É muito triste ver o nosso bairro nessa situação, nas páginas dos jornais como o mais violento. Espero que com a publicação dessa matéria os olhares do governo se voltem para o nosso bairro”.

Atrás das grades que o asseguram em sua casa, o pedreiro Benedito Modesto acompanhou a passagem da caminhada. Morador do local há muitos anos, ele já foi vítima da violência no bairro. Segundo ele, além do medo de que o assalto já sofrido dentro de casa se repita, fica também o sentimento de impotência. “Aqui tem que ter muito cuidado, muita cautela. Eles não livram a cara de ninguém”, afirma. “A gente tem que viver de portas fechadas, fica deprimido, tenso o tempo todo”.

Para tentar mudar a situação vivenciada por muitos moradores do bairro, o aluno do 6º ano do ensino médio, Alexandro Matos, carregava a faixa branca que puxava a caminhada. Com os dizeres “Diga não à violência nas escolas”, o adolescente deixava claro o seu papel durante o trajeto. “Queremos, com isso, fazer um bairro melhor para nós mesmos”. Apesar de não achar o bairro em que mora tão violento, ele se disse satisfeito ao participar do ato. “Em todo lugar tem assalto, mas acho que a caminhada é muito boa pra chamar a atenção”.

Morador da invasão do Pantanal, no Bengui, o autônomo José Aroucho disse já ter vivenciado muitos casos de violência. Em um deles, foi livrado de ser assaltado justamente porque era morador do local. “A violência é muito grande. Já tentaram me assaltar, mas como moro no Pantanla há 22 anos, não me intimidei. Disse que sempre via eles por lá e eles me livraram. Às vezes a gente tem que fazer que não está vendo as coisas”, disse. “A gente está precisando de coisas como essas (caminhada) porque violência é só o que a gente encontra”.

EM NÚMEROS
500 Foi o número médio de participantes da caminhada, segundo a organização. (Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Notícias Pará

    Leia mais notícias de Notícias Pará. Clique aqui!