O novo representante do Brasil no Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Gary Stahl, está realizando sua primeira viagem, no cargo, pela Amazônia Legal brasileira. Ontem pela manhã, ele se encontrou com o governador Simão Jatene, no gabinete do Comando Geral da Polícia Militar.
O Pará é o segundo Estado brasileiro a ser visitado por Stahl desde que assumiu o cargo, em dezembro do ano passado. A viagem que começou esta semana pelo Maranhão, se estende até o estado do Amazonas – os três Estados onde há escritórios do Unicef.
O novo chefe do Unicef disse que a Amazônia Legal é uma das maiores preocupações do Fundo da Organização das Nações Unidas (ONU) atualmente. Em sua primeira visita ao Brasil, o americano que atuava anteriormente como representante do Unicef no Chile, disse estar impressionado com as disparidades da região.
“É um país muito poderoso, mas com muitas desigualdades. O Brasil tem muitos desafios internos e os mais marcantes estão na região Amazônica. Existe muita disparidade na região, mas ao mesmo tempo existe um esforço muito grande para mudar essa realidade para melhor”, afirma.
Dos problemas enfrentados pelos Estados, o que levantou maior preocupação foi o do sub-registro dos recém-nascidos. “Ainda existem ribeirinhos, aldeias indígenas que não registram suas crianças. São inúmeros os fatores: como as imensas distâncias a serem percorridas, comunicação precária ou inexistente, a ausência de poder público. Mas esta realidade precisa mudar. É apenas com a certidão que vamos ter dados exatos para estabelecer políticas eficazes”, informa Gray Stahl. O escritório local já estuda a utilização de técnicos para estabelecer pesquisas quantitativas a cada seis meses.
TECNOLOGIA
“A tecnologia será nossa principal ferramenta neste processo. Estudamos utilizar o celular como fonte de envio de dados em campo ou até mesmo controle de doenças, como já foi feito para o controle de Aids, em outros países da África e América Latina”. A Amazônia Legal brasileira permanece como um dos territórios prioritários no novo ciclo de cooperação do Unicef com o Brasil, que começa este ano e segue até 2016.
Entre as parcerias que o Fundo da ONU já desenvolve aqui está o selo Unicef Município Aprovado. Iniciado há dois anos no Estado, o projeto funciona como um reconhecimento internacional concedido a municípios brasileiros que alcançarem importantes melhorias na qualidade de vida de crianças e adolescentes. Mais de 1,8 mil municípios do Semiárido e da Amazônia Legal fazem parte do programa.
Outra ação é a parceria com o Pró-Paz Integrado, programa do Governo do Estado. Destinado a crianças, adolescentes e jovens de até 29 anos, o programa tem como linhas de atuação a geração de renda, capacitação / informação, esporte e lazer, arte e cultura, saúde, garantia de direitos, educação, comunicação e defesa.
“Através da atuação mais direta do Unicef, vamos identificar índices de maior ocorrência, capacitar rede de atendimento e incentivar planos municipais”, comemora Isabela Jatene, coordenadora do Pró-Paz.
Gary Stahl também visitou o Espaço Acolher. O local, criado pelo Governo do Estado em 2006, integra o Programa de Atenção Integral às Vítimas de Escalpelamento da Santa Casa de Misericórdia do Pará, em Belém e tem como parceiro a Unicef. Após a visita, o representante disse que “reforçar a rede de prevenção” é uma das estratégias para combater o acidente de motor na Amazônia.
Segundo a Unicef, nos últimos 10 anos, pelo menos 260 pessoas foram vítimas de escalpelamento na Amazônia, em especial nos estados do Pará e Amapá. O Fundo acredita que 98% dessas vítimas sejam mulheres e 60% menores de idade. A questão cultural, como a utilização de embarcações com motores de eixo, e uso o cabelo longo solto, principalmente no caso das mulheres, é a maior causa dos acidentes.
(Diário do Pará com informações da Agência Pará).
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar