Moradora de Icoaraci, Região Metropolitana de Belém, Aline Gisele Gouveia madrugou na fila para garantir o recadastramento dos filhos no Bolsa Família, na última segunda-feira. Mãe de três filhos - de 3 anos, 1 ano e dois meses -, apenas o mais velho está incluso no programa de transferência de renda promovido pelo governo federal.
É com os R$ 102 que ganha com o benefício que ela garante o essencial para a saúde e o bem-estar de toda a prole. “Eu compro remédio, fralda, comida, com esse dinheiro. É pouco, mas faz uma diferença imensa. Meu marido está desempregado e os bicos que ele faz não são suficientes. Esse dinheiro a mais vai ajudar e muito os meninos”, conta a dona de casa. A história da também dona de casa Lucilene Cruz, 25, é muito semelhante. Mãe solteira de dois filhos, um de oito e outro de 10 meses, ela se viu sem opção a não ser recorrer ao Bolsa Família para manter a casa. “Vim garantir o meu. É uma renda que eu vou poder comprar o material escolar do mais velho, uniforme, merenda, além de fralda e remédio pro mais novo”.
Elas fazem parte do grupo de 37 mil famílias recadastradas no programa, desde janeiro de 2011. Ainda são esperadas 3 mil pessoas para realizar o processo. A alta demanda fez com que o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) prorrogasse a data de encerramento em Belém até o dia 29 de fevereiro de 2012.
A atualização do cadastro na prefeitura a cada dois anos é a condição para manter o benefício. O descumprimento reiterado das contrapartidas, como a frequência escolar ou aos postos de saúde, também causa desligamento do Bolsa Família. A partir do dia 1º de março, quem não atualizou o cadastro, terá o Bolsa Família cancelado. Segundo levantamento do MDS, no Pará, 26.092 famílias estão com os benefícios bloqueados.
De acordo com Fábio Tey, coordenador do programa em Belém, o processo de cadastro é longo, pois se dá por meio de convocação. “As famílias são chamadas para o recadastramento através de um aviso. Por morarem ou no interior ou em locais de difícil acesso, é difícil contatar a todas. Quando não há contato por telefone, temos que programar visitas dos assistentes sociais. Tudo isso demora”, afirma. A Prefeitura de Belém revela que existem 83.718 beneficiários do programa na capital paraense.
O benefício se destina a lares com renda per capita de até R$ 70 - consideradas famílias em situação de extrema pobreza - e entre R$ 70,01 e R$ 140 - famílias consideradas pobres. Famílias com renda até R$ 140 recebem
R$ 32 por filho. O benefício se estende até o limite de cinco filhos, e com idade máxima de 15 anos. As famílias com renda inferior a R$ 70 recebem um abono de R$ 70.
(Diário do Pará)
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