Durante a forte chuva que caiu em Belém na tarde de ontem, o desabamento de uma parede deixou os moradores da avenida João Paulo II, entre as travessas Lomas Valentinas e Angustura, no bairro do Marco, bastante assustados. A parede, de cerca de um metro e meio, tinha acabado de ser erguida no terceiro andar de um prédio em construção, quando o vento a derrubou sobre uma área de circulação do edifício que fica ao lado da obra. Segundo os vizinhos, o prédio está previsto para ter cinco andares.
Os moradores vizinhos ficaram revoltados, já que o desabamento afetou a circulação do condomínio onde fica uma das áreas de estacionamento. Manoel Teixeira, síndico do edifício Carmen, afirma que a obra, iniciada em outubro do ano passado, quase não foi vistoriada por órgãos competentes e que os moradores reclamam da falta de segurança.
“Já fizemos solicitações na Secretaria de Urbanismo e vamos dar entrada num pedido junto à Defesa Civil”, disse. A obra possui selo de vistoria do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea), assim como placa informando os responsáveis técnicos pela construção. O Crea fiscaliza se a obra tem engenheiro.
Apesar do acidente ter atingido uma área de cerca de quatro metros quadrados, a parede despencou de uma altura de quase 15 metros, felizmente no momento da queda não havia veículos estacionados e ninguém se machucou. No entanto, o estado em que materiais como tijolos e um toldo, que fazia parte da cobertura do local, ficaram, apontam para a possibilidade de o acidente ser mais grave, não fosse o morador que ocupa a vaga ter saído com seu veículo momentos antes.
Os moradores questionam a falta de diálogo entre as partes. O proprietário do imóvel em construção, segundo os moradores, é dono de uma loja do outro lado da rua. “Não foi colocada sequer uma tela. Eles poderiam ao menos avisar ou interditar a área, já que sempre há risco de algum acidente, por menor que seja”, reclamou uma das moradoras, que preferiu não se identificar.
Ovídio da Cunha, mestre de obras da construção, informou que um dos bombeiros, que vistoriara a obra momentos após o desabamento, constatou que a ação do vento foi determinante para o acidente. “Foi uma fatalidade, poderia ter acontecido em qualquer lugar. Mas ninguém se machucou”, comentou o operário. Segundo Paulo Pimentel, engenheiro civil e morador do edifício Carmem, a tela de proteção não teria evitado estragos. “Para esses casos o que utilizamos são escoras de madeira, que fazem a sustentação da parede enquanto elas secam, o que não foi feito”, avalia o engenheiro.
Lene Miranda, proprietária da obra junto com o marido, esclarece que providenciou a limpeza do local onde a parede desabou e afirma que a despesa com a reforma do toldo que foi destroçado será arcada pelos donos.
“Mas as reclamações de que existem irregularidades são intrigas dos moradores, eles reclamam, na verdade, porque o prédio irá atrapalhar a ventilação deles, assim como a iluminação, mas disso nós não temos culpa”, declara. Segundo a proprietária, as instruções dos bombeiros serão acatadas, no que diz respeito à segurança do local. “Colocaremos a tela de proteção porque o vento aqui é muito forte e para evitar transtornos”. (Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar