plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 29°
cotação atual R$


home
NOTÍCIAS PARÁ

Custodiados do Coqueiro gravam documentário

Ressocializar apenados através da arte e educação é um dos objetivos da Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe), que tem implantado projetos que levam escola, aulas de música, dança e até oficinas de cinema para dentro das casas penais.

twitter Google News

Ressocializar apenados através da arte e educação é um dos objetivos da Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe), que tem implantado projetos que levam escola, aulas de música, dança e até oficinas de cinema para dentro das casas penais. A parceria mais recente foi firmada em dezembro de 2011, entre o governo do Estado e as ONGs Crias do Futuro e Central Única das Favelas (Cufa), que levaram o conhecimento de técnicas de roteiro, filmagem, corte e edição de vídeo para o Centro de Recuperação Feminina (CRF).

A experiência deu certo e, em fevereiro deste ano, foi aplicada no Centro de Recuperação do Coqueiro (CRC). A oficina encerrou na sexta-feira, 10, e gerou um documentário com o tema “Ressocializar, é preciso?”, que está em fase de edição. Victor Pamplona, coordenador de produção da Cufa, garante que o resultado do trabalho será exibido na segunda edição do “Cine Periferia”, que deverá acontecer em setembro de 2012, com mostras de filmes produzidos em diversas periferias do Brasil. “Vamos mostrar o resultado do trabalho produzido dentro do CRC e também o vídeo produzido pelas meninas do CRF que tem como tema ‘A vida no cárcere’. Os dois documentários deverão abrir o festival”.

“É uma oportunidade em um milhão”, disse Mark Kenddal da Silva, se referindo à exibição do documentário em tela grande, enquanto muitos cineastas não conseguiram exibir seus filmes no cinema. “Valorizo e acredito na oportunidade de resgatar a nossa auto-estima, por isso me dediquei bastante”, confidenciou o interno que foi um dos protagonistas do documentário.

Foram cinco dias de oficina, que teve a duração total de 20 horas. Quinze custodiados participaram do projeto e foram responsáveis por todo o documentário, desde o roteiro à captura de imagem. O fio condutor do Doc é a rotina no cárcere e as atividades externas introduzidas no sistema, como a religião e atividades educativas.

Para Átila Nascimento, 28 anos, somente através de cursos e oficinas é possível desenvolver o senso crítico do encarcerado e contribuir para uma verdadeira mudança. Para ele a oficina foi proveitosa profissionalmente, mas o principal benefício foi o sentimento de acolhimento social. “A gente se sente esquecido pela sociedade, pela família, pela justiça. Mas a ONG, através da oficina, nos mostrou que não estamos esquecidos nem pelo sistema penal. Pra mim, foi bastante proveitoso, aprendi a ser critico principalmente comigo mesmo”, contou.

Januario Palheta, 53, confessou que apesar de gostar de arte, nunca havia pensado em fazer uma oficina de vídeo, muito menos, que iria se identificar como diretor. A oficina despertou nele tanto o gosto para a direção quanto para a produção de documentários. Para o apenado, a oficina é positiva principalmente porque pode resultar em uma janela para a sociedade, diminuindo o preconceito com que os detentos são vistos. “O principal enfoque do documentário é tirar o negativismo do rótulo imposto aos internos do sistema carcerário. Cabe a nós mostrar que é possível, despertar a consciência, mas que veículo nós tínhamos pra isso? Agora com esse documentário, podemos mostrar que queremos mudar, e mudar o pensamento da sociedade, pois precisamos apoio dela quando sairmos daqui”.

A dedicação dos encarcerados foi uma surpresa para o instrutor e coordenado de áudio visual, Elrik Lima. A tensão dos primeiros minutos da aula, logo se dissipou diante da curiosidade e concentração dos alunos. “Desde o início a oficina não tinha a pretensão de ensinar a fazer cinema, mas fomentar a discussão e a consciência, pois isso sim é ressocializar. Mas nunca imaginei que no segundo dia eles estariam com o tema definido, com um roteiro encaminhado. A experiência foi fantástica. Eu entrei como professor e acabei saindo como aluno”.

Um dos mais dedicados, na opinião do grupo, foi José Edmilson Lobo, 43, que trabalhou como assistente de direção. Para ele, o único problema da oficina foi o tempo de duração. “Foi extraordinário, pena que durou pouco. Tudo o que entra aqui vem somar para a vida da gente”. “Quando a gente ocupa a mente com um curso a gente vê que pode mudar. Nós temos a oportunidade de lembrar que aqui não é o fim de tudo, que vamos sair, vamos voltar para a sociedade, e precisamos estar preparados para isso”, completou Carlos Alexandre Marques, 35, que participou depondo para o documentário.

Para a diretora do CRC, Mileny Fonseca, todas as atividades que quebram a rotina da cadeia, despertam a curiosidade e estimulam a ocupação intelectual, ajudam na reinserção social dos detentos, não apenas pela remissão da pena, mas pela ocupação do tempo. “A gente tem a consciência de que aqui é uma passagem, que tem que haver esse tipo de reabilitação. Temos que começar a trabalhar a cabeça deles para quando eles saírem daqui, para que eles estejam preparados”. (Agência Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Notícias Pará

    Leia mais notícias de Notícias Pará. Clique aqui!