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Galpões abrigam perigo e medo

Na avenida Doutor Freitas, onde funcionaram até 1999 os galpões de apoio e manutenção de aeronaves da Transportes Aéreos da Bacia Amazônica (Taba), a ação humana e do tempo nos anos que seguiram à falência da empresa foram severos com os prédios. Depois d

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Na avenida Doutor Freitas, onde funcionaram até 1999 os galpões de apoio e manutenção de aeronaves da Transportes Aéreos da Bacia Amazônica (Taba), a ação humana e do tempo nos anos que seguiram à falência da empresa foram severos com os prédios. Depois de serem totalmente saqueados, os galpões e salas que formavam o conjunto, com cerca mil metros quadrados, ficaram em situação de abandono.

O resultado do esquecimento foi uma cidade-fantasma tomada por um matagal, onde pessoas se escondem para negócios ilícitos. Os moradores das proximidades reclamam há anos da falta de providências para a área e se mostram receosos com a freqüente movimentação no local durante a noite. Eles afirmam que o terreno seria da Infraero.

Da janela de seu escritório, o empresário Antônio Carlos Santiago tem vista para as ruínas dos galpões, e diz já ter acompanhado a ação de ladrões e viciados nos escombros. “Aí acontece muito roubo e partilha, é nesse terreno também que eles aproveitam para se drogar. Não é aconselhável passar por essa calçada, principalmente quando anoitece”, adverte.

O próprio empresário recentemente foi vítima da ação de bandidos que, aproveitando o muro alto que cerca o terreno abandonado, pularam para sua loja e levaram computadores e mais pertences de menor valor. “Já reclamamos diversas vezes, mas ninguém faz nada”, indigna-se.

Os perigos vão desde o desabamento de paredes altas, ponto de tráfico e uso de drogas até brigas entre invasores que, segundo uma moradora que preferiu não se identificar, resultou em morte. “Uma vez eles se desentenderam aí pra dentro e um foi morto a pauladas”, relembra a moradora, que evita sair de casa à noite e divide o muro da casa com o terreno baldio.

FÁCIL ACESSO
Sem qualquer isolamento, o acesso ao terreno é fácil e simples. A fachada degradada possui frestas e brechas pelas quais os invasores adentram, sem qualquer cerimônia. De ambos os lados há pequenas passagens para vilas de casa, nas quais moradores dizem ter medo de passar. Em uma das laterais, um portão que serviria como barreira foi arrancado e dá passagem para uma pista recém-construída. “Isso aqui ia ser uma via pra escoar o trânsito da Júlio César, mas por alguma razão pararam a obra”, explica Antônio Carlos. A via dá acesso direto à pista de pouso do Aeroclube de Belém.

Por entre caminhos abertos na mata crescida e que já toma as paredes em ruínas, há algumas roupas (inclusive íntimas) pelo chão. Segundo Carlos Santiago, os prédios abandonados também abrigam sessões de orgias. “Acho que aqui também é ponto de prostituição”.

O OUTRO LADO - INFRAERO
Segundo a assessoria da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), o terreno abandonado há 13 anos será reformado a partir do segundo semestre de 2012, e será destinado à hangaragem de oficinas e manutenção de aeronaves do Aeroclube. A reforma faz parte do plano-diretor da Infraero e passa por processo de licitação. (Diário do Pará)

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