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Últimos preparativos para a folia

Na cesta de compras só itens de primeira necessidade, garante o turista maranhense Ademilton Neves, 28. Chapéus coloridos, tiaras de princesa, colares havaianos e um enorme par de chifre de boi faziam parte da lista de carnaval, orçada em R$ 300. “Ainda ‘

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Na cesta de compras só itens de primeira necessidade, garante o turista maranhense Ademilton Neves, 28. Chapéus coloridos, tiaras de princesa, colares havaianos e um enorme par de chifre de boi faziam parte da lista de carnaval, orçada em R$ 300. “Ainda ‘tá’ faltando o abadá, que eu vou tentar arranjar em algum trio elétrico em Marituba”, conta.

Na quinta-feira passada (16), ele foi com a mulher ao bairro da Campina, em Belém, atrás dos últimos apetrechos para a folia. Quanto mais ridículo, absurdo ou engraçado, melhor, ensinava. “Vou decidir a fantasia ainda, acho que vou com o chapéu de viking. Não sei, tô levando bastante opção. Na minha família, gostamos muito de carnaval. Eu, minha mulher, minha filha, os sobrinhos todos acabam se produzindo. É uma coisa meio difícil de se ver hoje em dia, mas fazemos questão de manter esse hábito. Sem fantasia, carnaval perde a graça”.

A contadora Aldilea Nery Ferreira compartilha da mesma opinião. Ela foi comprar a fantasia para a festa do colégio da filha de 9 anos. Aproveitou para juntar algumas peças para ajudar a montar o visual de “Tiazinha”, personagem vivida por Suzana Alves, assistente de palco de Luciano Huck, no Programa H (Band), no começo dos anos 2000. “Este ano estamos planejando participar de alguns blocos de rua em Marudá e Curuçá. Desde a infância pulo carnaval, gosto de me fantasiar. Não é essencial, mas é uma forma de extravasar, de liberar geral”, diz.

MOMO
Eles não são exceções. O período de reinado de rei momo é um dos mais lucrativos para a loja especializada em artigos de festas, localizada na rua Santo Antônio. “Agora, na véspera do carnaval, a frequência aumenta na loja. Mas nós temos demanda desde o começo de fevereiro. Este ano foi um dos melhores. Já conseguimos superar as vendas do mesmo período, antes mesmo do mês terminar. Já estamos planejando abrir até no feriado na segunda-feira. O pessoal parece estar mais animado neste carnaval”, comenta Alex Elias, gerente de vendas da loja.

Se entre os foliões, a expectativa para a festa era quase que palpável, no barracão da escola de samba Rancho Não Posso Me Amofiná, no Jurunas, os carnavalescos estão ansiosos com a aproximação do grande dia. No sábado (18), se inicia o desfile das escolas de samba de Belém. “Estamos sem parar desde novembro. Já conseguimos concluir 95% da produção para o desfile”, avalia José Roberto Teixeira, 58, presidente do Rancho, agremiação que integra o primeiro grupo do carnaval de Belém.

Para o tema da escola este ano, o Rancho propôs uma releitura do samba-enredo “Tempo de Criança”, composta por Fernando Aflalo, para o desfile de 1979 da agremiação. “Foi um grande desafio transformar a batida marcada de um samba da década de 70, com a velocidade que o desfile na avenida exige”, explica o diretor de bateria Miguel Castro, o “Mozart”, 42.

Há quatro meses os 150 ritmistas da bateria vêm ensaiando, durante três dias por semana, uma média de duas horas e meia por dia. “Eu já escutei o mesmo samba umas mil vezes já. Não consigo enjoar. Canto e toco quantas vezes for preciso. O ano todo se for pra sair bem na avenida”, conjectura o músico.

BAIANAS
Fátima Barata é outra que luta contra o tempo. No caso dela, queria alguns dias a mais para juntar mais jovens senhoras para a ala das baianas. “Meu sonho é ver mais de 100 baianas desfilando. Mas as mulheres de 30, 40 anos têm vergonha de fazer parte da ala. Existe um preconceito em se fazer parte do grupo, porque dizem que é coisa de gente velha”, revela a coordenadora da ala das baianas.

Como explica, a ala não é requisito obrigatório para o desfile, mas conta preciosos pontos de bonificação. “Esses pontos já garantiram a vitória de muita escola”, garante. Este ano, as baianas do Rancho sairão de fadas-madrinha, inspiradas no tema da escola. “Espero que com o tema deste ano a gente conquiste as crianças. Quem sabe acabando com o preconceito nessa idade, a gente consiga mais gente no futuro”, planeja.

No sambódromo da Aldeia Amazônica de Cultura Cabana Davi Miguel, no bairro da Pedreira, chama atenção os quilômetros de pista pintado de branco para o desfile. “A pista foi pintada para ressaltar o colorido das fantasias e carros alegóricos. É uma técnica usada na maioria dos grandes carnavais do Brasil, que resolvemos adotar como norma aqui também”, conta Carlos Lima, coordenador de infraestrutura do carnaval de Belém.

Outras novidades para este carnaval serão um sistema de gerador de energia para um eventual apagão e uma sonorização mais potente, de 196 mil watts. Na visita de nossa equipe de reportagem, o local já estava completamente isolado para o desfile. Até o final dos desfiles, na terça-feira, carros e pedestres estarão impedidos de circular em determinados horários pela pista.

A funcionária pública Marinalda Macedo, 61, disse não se importar com a mudança no cotidiano. “Mano, eu atravesso pro outro lado, dou a volta, mas tudo justifica pelo carnaval. Eu adoro o desfile, é um prazer ter as escolas tão pertinho aqui de casa. Minha família toda me visita pra ver o desfile de camarote em casa. Eu tô doida pra que chegue logo o final de semana”, diz a moradora. (Diário do Pará)

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