O processo de retirada do avião bimotor que caiu na Baía do Guajará há oito dias será retomado na manhã desta sexta-feira (17). A Polícia Federal interrompeu os trabalhos da equipe de mergulhadores às 20h de ontem. A aeronave, modelo King Air F90, prefixo PT–OFD, foi movida, ainda submersa, para outro píer da Base Naval de Val-de-Cans, às proximidades de onde caiu na última quarta-feira (8). Ontem, por volta das 14hs, parte do bimotor pôde ser avistado e foi rebocado até uma área pertencente ao Corpo de Bombeiros. A previsão - não cumprida - era que dependendo das condições da maré, o trabalho terminasse ainda de noite.
O trabalho era feito lentamente para evitar que a aeronave se prendesse à lama do fundo do rio novamente. O avião foi levado para uma rampa que se projeta para dentro do rio. Assim, o avião poderá ser puxado para a superfície, evitando o içamento. O objetivo da empresa que está fazendo a retirada é não danificar o avião, a pedidos do proprietário. De acordo com o delegado corregedor da Polícia Federal, André Epifânio, a tentativa de acionar o trem de pouso e levar o avião à superfície não deu certo. “Fomos informados que o trem de pouso está semiacionado, a alavanca que libera a ação está emperrada, mas na verdade isso faria o avião enterrar mais. Amanhã (hoje), ele devem tentar usar um guindaste”, explica.
Devido à grande quantidade de lama no fundo do rio, as condições da maré, a falta de visibilidade e a forte correnteza da baía, a equipe de mergulhadores relatou ter dificuldades para realizar o trabalho. Essa foi a razão de manter a aeronave presa por cabos de aço, evitando assim que ela fosse arrastada pela correnteza. Apenas uma mochila, contendo materiais do médico que era transportado no avião, documentos sujos pela lama, e uma gaveta foram retirados e inspecionados pela Polícia Federal. A equipe de mergulhadores foi interrogada pela Polícia Federal. “Eles nos garantiram que o compartimento de bagagens continua lacrado, como foi orientado. Hoje à noite ninguém mais mexe no avião, até amanhã de manhã”, garante o delegado.
Desde a madrugada de quinta-feira, uma equipe de quatro mergulhadores se revezava no trabalho que pretendia fazer a flutuação da aeronave. Utilizando uma boia inflável, cabos e tambores plásticos, a equipe responsável pelo resgate conseguiu fazer com que a aeronave se desprendesse do fundo da baía. Por volta de 12h40, parte da fuselagem do avião pôde ser vista e teve início o rebocamento do bimotor.
Todo o trabalho foi acompanhado por uma equipe do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa). Assim que fosse retirada da água, a aeronave seria periciada pelos militares e uma equipe da Polícia Federal também faria uma vistoria no interior do bimotor. Um agente do Departamento de Repressão ao Contrabando da Receita Federal também espera a retirada do avião para fiscalizar o que estava sendo transportado no bimotor. (Diário do Pará)
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