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Cametá, Curuçá e Vigia se preparam para o domingo

Ritmo, colorido e muita alegria. É domingo de carnaval e nos quatros cantos do Brasil ninguém quer saber de nada mais. No Estado, a diversão começou faz tempo. Em Belém, desde janeiro tem folia na Cidade Velha. Nos distritos de Icoaraci e Mosqueiro a Pref

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Ritmo, colorido e muita alegria. É domingo de carnaval e nos quatros cantos do Brasil ninguém quer saber de nada mais. No Estado, a diversão começou faz tempo. Em Belém, desde janeiro tem folia na Cidade Velha. Nos distritos de Icoaraci e Mosqueiro a Prefeitura de Belém mantém programação cultural desde o início do mês. Mas com a chegada oficial do carnaval, municípios do interior mantém a tradição e atraem foliões de todos os lugares.

CAMETÁ

É no sobe e desce das águas que o município de Cametá se alegra em cores e ritmos para compor um dos mais famosos e antigos carnavais do Estado. Em um século e meio de tradição carnavalesca, a região se destaca ao unir a tradição dos blocos culturais com agito das micaretas puxadas por trios elétricos.

A abertura oficial do período mais festejado pelos cametaenses teve início na última sexta-feira com o “Carnaval das Águas”. Pelo menos 12 blocos tradicionais saíram de diferentes ilhas em cortejo pelo rio Tocantins até a chegada à sede do município onde se apresentaram na Praça das Mercês. “Essa foi a chamada abertura oficial porque em Cametá o Carnaval nunca acaba. Os blocos tradicionais fazem o ‘entrudo do carnaval’ [a introdução]. Desde dezembro, eles percorrem as comunidades das ilhas levando diversão através de suas apresentações que são sátiras do cotidiano cametaense”, explica o secretário de Cultura do município, Dmitryos Pompeu Braga.

Com o tema “A capital do Carnaval Cultural”, Cametá garante animação para os foliões de todas as idades e classes sociais. Este ano, desfilam pelo corredor da folia 6 escolas de samba, 12 blocos culturais e 67 blocos de abadás. Nestes, há cobrança de ingressos para quem prefere acompanhar as atrações - inclusive nacionais - mais de perto.

A programação da Prefeitura de Cametá segue até quinta-feira quando o bloco “Bill Clinton” encerra os festejos em um arrastão que reúne mais de 12 mil pessoas. “É um bloco com dezenas de concentrações. Em cada quintal há um grupo de foliões reunidos. Ao longo do percurso rumo à praça, o caldo do bloco vai engrossando”, comenta o secretário. “Somos o berço do carnaval, uma festa de raiz, quem ainda não veio, precisa conhecer”, convida.

CURUÇÁ

Na região nordeste do Estado, em Curuçá, o carnaval é ecológico e esse ano traz a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, o Rio +20 como tema do famoso bloco “Pretinhos do Mangue”. “Nossa tradição é a preocupação com a natureza. No carnaval também há espaço para reflexão ambiental”, diz Edmilson Campos, presidente do Pretinhos do Mangue.

O bloco surgiu na terça-feira de carnaval de 1989 quando um grupo resolveu tirar o gosto da farra com caranguejo e ao não encontrar o petisco no mangue resolveu voltar de mãos abanando, mas com o corpo inteiramente sujo como forma de protesto. Pronto, nascia ali o bloco sensação de Curuçá que virou mania, conhecida internacionalmente.

Para quem quiser ainda há tempo. O bloco sai hoje às 15h rumo à Praça Coronel Horácio e a dose se repete na terça-feira, no mesmo horário. A fantasia é simples e garantida gratuitamente no mangue. “Muita gente já vem fantasiado de tijuco [como o barro do mangue é chamado] de casa, nos bairros onde tem mangue como o pessoal da Rede Mangue de Turuvisão. Também estamos providenciando dois barris e uma caixa de 500 litros de lama para fazer a alegria do povo”, conta o presidente do bloco.

Outro destaque da festa local ocorre na Quarta-feira de Cinzas quando sai o bloco “Ilhados”. “Nesse dia a festa é para quem gastou tudo no carnaval e ficou ‘ilhado’ em Curuçá. Há sorteio de passagens de volta para Belém e até para outros Estados, mas é a pé”, diverte-se Edmilson. Os Ilhados saem às 15h da Praça Coronel Horácio.

VIGIA

A aproximadamente 110 quilômetros da capital paraense a opção é Vigia. A cada ano, mais e mais foliões fazem da cidade de ruas estreitas o destino certo da diversão. “O município sempre foi marcado pelo carnaval mais tradicional, dos bailes nos salões, mas desde os anos 90 houve o “boom’ devido principalmente, aos blocos das Virgienses e dos Cabraçurdos”, avalia a secretária de Cultura, Desporto e Lazer do município, Izadora Almeida.

Izadora refere-se a uma tradição que na verdade se repete há 27 anos, quando os homens se vestem de mulher e saem às ruas para comemorar a Folia de Momo com muita irreverência e bom humor, no bloco as “Virgienses”.

De acordo com um dos organizadores, Otávio Ribeiro (conhecido como professor Tavinho), o bloco surgiu de uma brincadeira descompromissada entre um grupo de amigos. “Era uma segunda-feira de carnaval e todo mundo só queria brincar. Juntaram virgem com vigiense, que é quem nasce aqui, e surgiu as Virgienses. Foi tão no improviso que escreveram o nome do bloco em um pedaço de papelão com uma pedra de carvão”, relembra. A partir de então virou mania, que hoje reúne cerca de 50 mil pessoas. “Sai homem vestido de mulher de tudo que é beco, uma alegria que contagia”, revela. A concentração do bloco começa amanha de manhã, no canto do operário, com o tradicional preparo da “caninha das virgienses” servida aos brincantes durante todo o percurso.

A resposta feminina veio anos depois com o nascimento dos Cabraçurdos (que também sai amanhã). Bloco criado para as mulheres que eram impedidas de participar do bloco masculino. Embora menor, o bloco movimenta a cidade há 19 anos. Bigodes, botas, bonés e gravatas tudo vale na hora da animação.

“O melhor é que é tudo de graça. Tanto lá [Cabraçurdos], como aqui [Virgienses], quem tá passando na rua pode entrar. Aqui o carnaval é democrático”, garante professor Tavinho.

Além dos blocos mais famosos, diz Izadora, há os blocos de abadá, escolas de samba e os palcos montados pela Prefeitura. “A novidade deste ano é um palco voltado especialmente para as famílias na praça Olavo Rayol com apresentação de bandinhas tradicionais”, informa.

(Diário do Pará)

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