Um carro, uma caixa de som e muitos amigos. Bastou isso para que um grupo de moradores do bairro da Pedreira fizesse a folia no domingo gordo de carnaval. Por volta de 19h, a festa que percorreu a avenida Antônio Everdosa estava apenas começando.
À frente do ‘Afectados da Folia 2012’, nome dado ao bloco que já estava em seu segundo ano de existência, a funcionária pública Ana Lúcia Santos era só alegria. Aos 65 anos, ela dançava ao ritmo de axé, marchinhas e até quadrilha. “Tudo que toca eu danço. É carnaval!”, dizia animada. “Isso aqui continua até de manhã. Daqui vamos parar em um bar. No bairro do samba e do amor não falta carnaval”, garantiu a foliã Graça Silva.
Responsável por dirigir o carro que levava música à festa, o mecânico Eduardo Moreira se preocupava em manter a tradição iniciada pelo pai. Segundo ele, apesar de não estar no meio da folia com os brincantes que dançavam debaixo de chuva, era possível aproveitar o carnaval de dentro do carro. “É muito bom poder manter isso. Essa animação envolve todo mundo”.
Vizinho da Pedreira, o bairro da Sacramenta também deu espaço para a folia de mais dois blocos de rua. Seguindo pela avenida Pedro Álvares Cabral, o bloco ‘Fura Olho’, já lotado de brincantes, ficou maior ao se encontrar com outro bloco que percorria as ruas do bairro. Ao som de axé e dos gritos dos foliões que não desanimavam nem debaixo de chuva, os blocos fizeram a alegria da dona de casa Keillane Leão.
Já por volta de 20h30 a animação de Keillane ainda poderia garantir muitas horas de carnaval. Ao lado do filho Andrei, de seis anos, ela aproveitava para curtir o carnaval dentro da cidade. “A gente não tem como viajar, então, tem que fazer a nossa brincadeira. Coloquei uma fantasia de Batman (super-herói dos quadrinhos americanos) e vim pra folia”.
CRIANÇAS
Quem também aproveitou para levar as crianças para curtir o carnaval foi o policial militar aposentado Bernard Pinheiro. A fantasia escolhida por Vanessa, de cinco anos, foi a de Branca de Neve, mas, apesar de não estar fantasiado, o pai também virou personagem em meio às marchinhas que comandavam o bailinho infantil da Estação das Docas. “A gente se veste de criança e vem brincar com eles”, disse. “Esse carnaval, voltado para as crianças, é o mais criativo que já inventaram para quem não gosta de bagunça e prefere lugares mais reservados”.
Além da pequena Branca de Neve, personagens como o Batman, o Homem-Aranha, piratas, fadas e bailarinas corriam pelo salão em meio aos confetes e serpentinas que coloriam o chão. Para a aposentada Sandra Reis, o carnaval voltado às crianças era também uma ótima opção para os adultos. “Para quem não saiu de Belém, isso aqui é muito bom. Vim com a minha netinha e ela já tá toda animada com o carnaval”.
Cidade Velha ficou sem carnaval de rua
Já nas ruas da Cidade Velha o cenário que se via era bem diferente. Após a decisão da justiça que desobrigou o Governo do Pará e o Município de Belém a disponibilizar segurança para os blocos, o que se viu foi tranquilidade no local que serviu de palco para os tradicionais blocos de fanfarra que percorriam as ruas ao entorno das praças Dom Pedro I e do Carmo durante os finais de semana que antecederam o carnaval.
Mesmo sem a presença dos foliões, o presidente da Associação das Fanfarras da Cidade Velha (Asfavelha), André Kaveira, ainda tentou colocar seu bloco na rua. Acompanhado de seis músicos, o Rei Momo e a esposa Elida Braz, o bloco Jambú do Kaveira ainda tocou algumas marchinhas na Praça Dom Pedro I. “Nós vamos sair com o bloco mesmo assim porque é um direito legítimo”.
O autônomo Alberto Monteiro estranhou a falta de movimentação no bairro. Ele teve que improvisar o carnaval com seu próprio carro. “Nós três (ele e mais dois amigos) fizemos nossa própria”, disse. “Esse carnaval deveria continuar porque quem não pode viajar pra Vigia ou Cametá tem que ter uma opção aqui”.
RENOVAI-VOS
A opção da dona de casa Lúcia Nunes foi a celebração religiosa do Renovai-vos. Ela aproveitou para rezar e se sentir mais próxima de Deus. “Rezamos o terço pela manhã, tivemos uma palestra e agora finalizou com uma missa”, explicou. “Desde que me entendo por gente eu danço o carnaval de rua e esse ano eu resolvi vir para cá e achei ótimo”. (Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar