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Samba de primeira emocionou Aldeia no sábado

Temos que aplaudir de pé o povo da Pedreira”, disse emocionada a atriz Natal Silva, do Grupo Experiência, um dos homenageados da noite no desfile das Escolas de Samba do 1º Grupo. O público foi mesmo um elemento à parte do espetáculo e encheu a Aldeia Ama

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Temos que aplaudir de pé o povo da Pedreira”, disse emocionada a atriz Natal Silva, do Grupo Experiência, um dos homenageados da noite no desfile das Escolas de Samba do 1º Grupo. O público foi mesmo um elemento à parte do espetáculo e encheu a Aldeia Amazônica David Miguel, no último sábado, para levantar ao ritmo das sete principais agremiações da cidade, uma maratona de folia que começou pontualmente às 21h e terminou às quatro da madrugada de ontem.

XODÓ DA NEGA
A agremiação Xodó da Nega, que subiu para o primeiro grupo ano passado, abriu a noite com o enredo “Todo mundo nasceu nu, mas de roupa é mais bonito”, trouxe para o carnaval a história do vestuário, desde os homens primitivos ao mundo fashion atual. Na avenida, Adão e Eva caíram no samba, e não faltou animação aos 1.500 brincantes que compunham a escola.

“Fizemos um resgate dos principais momentos dessa história: desde o começo de pecado, que fez o homem se cobrir por vergonha, aos homens primitivos, babilônios, egípcios, idades antiga e moderna, até falarmos do que a roupa é hoje em dia, uma forma de identidade e comunicação”, explicou o carnavalesco Marco Antônio, que trouxe o tema para o carnaval depois de pesquisas na primeira turma de figurino da Escola de Teatro.

Fundado em 1989, como bloco de rua do bairro da Cremação, o Xodó da Nega, apesar da tradição no carnaval, é uma agremiação novata no primeiro grupo. Tornada escola em 2004, há sete anos entrou para a elite do samba belenense, mas caiu em seguida. O desfile desse ano, então, marca o retorno da Xodó ao principal grupo do carnaval. “A expectativa é de fazer muito bonito. Não nos faltou empenho. Nosso carnaval será contagiante”, disse, emocionado, Marco Antônio.

QUENZÃO
A festa seguiu com a apresentação de uma das mais tradicionais escolas de samba da cidade. Fundada há 76 anos no Umarizal, o Império de Samba Quem São Eles entrou na avenida para contar a história do bairro onde surgiu. “Umari, o Ninho da Águia na Selva de Pedra” pintou a escola de vermelho e branco, e trouxe à avenida mil brincantes, oito alas e três carros alegóricos.

Convidada ilustre para compor a comissão de frente, assinada pela companhia Ana Unger, a jovem atriz Adelaide Tereza, moradora do Umarizal, era só entusiasmo momentos antes de entrar na Aldeia Amazônica. “Fiquei muito feliz pelo convite. Eu sempre quis sair numa escola de samba. É uma experiência que todo mundo que trabalha com arte deveria viver. Eu ensaiei muito e estou muito feliz”, declarou.

PIRATAS DA BATUCADA
Na noite de fantasia, Dom Quixote e seu moinho de vento brilharam na passarela do Piratas do Batucada. Com efeitos de luz e movimento nos carros alegóricos, a escola trouxe como tema os 40 anos de um dos grupos de teatro mais importantes do Pará, o Grupo Experiência. “A gente se sente até lisonjeado, com tanta coisa para homenagear, eles escolheram a nossa história”, diz, numa modéstia emocionada, Natal Silva, atriz com mais de 40 anos de palco. “Nem lembro quando eu entrei para o teatro, mas sei quando irei sair, só depois de morta”, declara a artista, destaque do carro alegórico que representou o espetáculo “Verde Ver-o-Peso”, o mais famoso do grupo de teatro que reúne grandes nomes dos palcos paraenses, como Nilza Maria, Iêie Porto, Paulo Vasconcelos e Geraldo Sales.

Sediado no bairro da Pedreira, o Piratas foi fundado em 1971, e fez bonito com o samba-enredo “Vem ver o peso da minha experiência”, que trouxe para a avenida 1.200 componentes em doze alas, treze alego-
rias, três carros alegóricos e uma bateria formada por 150 garotos atendidos pelo projeto social desenvolvido pela agremiação. “É muita satisfação poder trabalhar com esses jovens, que são crianças e adolescentes de risco. A gente mostra que a arte da música, do carnaval podem ser um caminho melhor”, declarou Cacá, mestre de bateria. Ao fim do desfile, um banho de cheiro que espalhou pelo ar os perfumes da floresta.

BOLE-BOLE
Quarta escola a desfilar, a Bole-Bole chegou como o grande destaque da noite. É que há dois anos consecutivos a agremiação leva para o bairro do Guamá o troféu de campeã do carnaval. “Nossa expectativa é o tri”, diz o presidente da escola, Herivelto Martins.

A aposta para a vitória foi no samba-enredo “Escola, Teatro, Dança e Carnaval”, uma homenagem aos 50 anos do Centro da Universidade Federal do Pará que formou tantos artistas paraenses. Entre as presenças ilustres, os atores Aníbal Pacha e Paulo Santana, e a trupe dos Palhaços Trovadores, que também foram tema campeão da escola em 2010.

Na avenida, seres mitológicos, deuses gregos, ninfas e bailarinas. Seres maravilhosos, sereias, fadas, palhaços tomavam cerca de 2 mil componentes, distribuídos em 12 alas, contagiados por 150 ritmistas.

Império homenageia bairro da Pedreira e Rancho aposta no universo infantil
Nenhum contratempo maior havia atrapalhado a noite de folia, até que um problema no carro abre-alas prejudicou o desfile da Deixa Falar, que sofreu o desfalque logo no começo da sua apresentação. A escola contou, então, com apenas um carro alegórico para representar seu enredo que entrou na avenida com as fitas coloridas da marujada. A escola jurunense, fundada em 1983, desfilou com 1.200 componentes, três carros alegóricos e nove alas. “Vamos contar como foi a chegada de São Benedito, a formação das marujas, a festa de santo e finalizamos com a Marujada bragantina, que virou carnaval”, explicou Mirival Pina, 62 anos, fantasiada com o chapéu de maruja e vestimenta dourada na ala das baianas. “A emoção é grande. Nossa escola está muito bonita”, diz a aposentada, que desfila há cinco anos na agremiação.

Numa prova de que o samba arrebata gente de toda idade, Samanta Castro, a jovem porta-bandeira de apenas 12 anos, segura com firmeza o símbolo da escola. “É emocionante porque você entra na avenida desejando fazer a sua escola campeã. Eu sempre choro”, diz a menina, porta-bandeira da escola desde os cinco anos.

IMPÉRIO PEDREIRENSE
A Embaixada Império Pedreirense foi a penúltima a desfilar. Com o enredo “Nas Terras do Império o Quilombo do Samba”, a escola homenageou os 100 anos do bairro em que surgiu a escola, em 1951. Na comissão de frente, o orixá Rainha das Almas”, protetor dos barracões de samba. Na passarela, antigos e novos amantes do carnaval. “Carregar o pavilhão da escola é um honra e uma responsabilidade que só quem tem dedicação e amor pode fazer”, declara a filha de carnavalescos Cintia Luna, 24 anos, porta-bandeira há 19.

O carro abre-alas trouxe índios, Rei Momo e uma coroa prata em rodopio, símbolo da agremiação. O segundo carro trouxe uma homenagem à China, com gueixas em seus quimonos, e muitos holofotes coloridos. O desfile encerrou com o terceiro carro, que misturou três matriarcas da escola a dezenas de meninas. “É o anúncio da novidade, é o samba se renovando, ele nunca há de morrer”, explicou Andréia Beltrão, diretora da comissão de frente.

RANCHO
A noite de desfiles do primeiro grupo encerrou com a mais tradicional agremiação da cidade e uma das mais antigas do país. O Rancho Não Posso Me Amofiná brincou com o lúdico universo infantil, e reeditou o samba-enredo de 1979, “Tempo de Criança”.

Com futebol, palhaços e carrossel, a escola entrou na avenida. O enredo a fez campeã e abriu o primeiro de três prêmios consecutivos como a melhor nos carnavais de 79, 80 e 81. “Eu estava no desfile em 79, e acho que temos que relembrar as coisas boas da vida e homenagear o futuro”, diz João Gama, o Açaí do Rancho, mestre de cerimônias. “Nosso trabalho social é com as crianças. Eles são a nossa esperança e alegria. Falar do universo delas vai ser lindo”, comemora o sambista, que destacou ainda as boas expectativas para o desfile. “Foi com esse samba-enredo que a escola teve sua maior vitória: 32,5 pontos de diferença do segundo colocado. Então acreditamos muito na nossa vitória”, apostou. (Diário do Pará)

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