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Tradição dos fobós animam o carnaval de Óbidos

O Carnaval de Óbidos, oeste do Pará, acontece desde 1930, segundo uma foto antiga onde figuram homens vestidos de mulher sob o registro desta data. Seria o bloco precursor e/ou inspirador do atual Bloco das Virgens, que desfila no fim da tarde desta terça

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O Carnaval de Óbidos, oeste do Pará, acontece desde 1930, segundo uma foto antiga onde figuram homens vestidos de mulher sob o registro desta data. Seria o bloco precursor e/ou inspirador do atual Bloco das Virgens, que desfila no fim da tarde desta terça-feira (21) pelo centro da cidade e promete arrastar centenas de homens vestido de mulher e mulheres vestidas de homem.

O desfile do Bloco das Virgens encerra o Carnapauxis, carnaval oficial de Óbidos, famoso pelas guerras de amido de milho e pelos fobós, personagem mascarado que veste um macacão colorido, chamado de dominó, e leva na cabeça um “capacete”, que é um cone revestido de papel laminado que tem três hastes na ponta de onde pendem fitas coloridas.

O bloco tradicional dos fobós é o bloco “Unidos do Morro” que desfilou na segunda-feira, 20. Desde cedo se percebia o movimento dos foliões em busca da vestimenta completa para sair incógnito no carnaval. Dona Francisca Correia exibia um dominó com placa de aluguel na porta da casa. Há quatorze anos a costureira aproveita o carnaval para incrementar a renda familiar.

São mais de 50 fantasias de diversas estampas e tamanhos que são vendidas e alugadas por R$45 e R$10 respectivamente. “É um trabalho que me dá prazer. Eu gosto muito de carnaval, mas não tenho mais saúde para brincar, então me realizo nos dominós que costuro e que vão para o cortejo dando uma alegria especial à festa e ajudando a manter a tradição do nosso carnaval”.

Arte – A tradição também é perpetuada através das mãos do seu Waldir Matos, 89 anos, onde jornais e revistas velhos ganham formas de rosto. Aos poucos, vão surgindo máscaras de todas as cores e formatos, que penduradas na varanda da casa, chamam a atenção de quem passa e convidam a curtir o carnaval de Óbidos da maneira mais tradicional: de fobó. O artesão começou a fazer máscaras quando tinha 8 anos e a brincadeira de criança ainda continua sendo uma grande diversão.

“Todas as caras sou eu que invento. Coloco chifre em uma, nariz de palhaço na outra, cada careta é diferente. Só paro de fazer máscaras quando eu morrer e quando isso acontecer, já avisei que não quero choro, quero que levem as minhas máscaras para o enterro”, disse sorrindo o artista que está ensinado a um dos filhos o ofício de fazer máscaras de fobó. “A tradição vai parar nas mãos do meu filho mais velho. Mas também têm outros artesãos e crianças que já fazem as máscaras, isso é muito bom”.

Seu Waldir foi um dos homenageados no cortejo do bloco Unidos do Morro, com direito a desfile em carro aberto e tudo. O cortejo partiu da sede do bloco no bairro de Fátima, também chamado de Camelo, arrastando brincantes que vestiam abadas do bloco, fantasias dos mais diversos temas e cerca de três mil fobós que encheram de cor e irreverência, as principais ruas da cidade. O pequeno João Pedro, de dois anos, era um dos fobós. Para a professora Cristiane Barros, mãe do menino, essa é uma maneira de passar a tradição para a próxima geração. “Ele adora dançar e quero muito que ele cresça entendendo o nosso folclore e seguindo a nossa tradição”.

Identidade – Quem sai vestido de fobó quer manter o anonimato até o final. Tem gente que prepara a fantasia escondido da família para que ninguém consiga identificar. Grupos de amigos criam dominós padronizados especialmente para o desfile, mas a identidade não é revelada pra quem está fora do círculo. “Se a gente é descoberto, não tem graça. O legal é poder brincar com todo mundo, sujar de maisena os conhecidos que assistem o desfile sem que eles não façam nem idéia de quem fez isso”, contou um dos brincantes que, logicamente, não quis se identificar.

A Associação das Pessoas com Deficiência de Óbidos (APDO) também participou da brincadeira. Devidamente paramentados, os cadeirantes acompanharam todo o percurso. “A gente não podia ficar de fora dessa diversão, além disso, aproveitamos para promover a associação”, contou Anaiza da Silva, presidente da APDO.

O cortejo do Unidos do Morro terminou na Praça da Cultura, mas a festa continuou com shows no palco central. No meio da multidão que brincava na praça, a Secretaria Municipal de Saúde de Óbidos em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde (Sespa), desenvolveu a campanha de prevenção à Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. Vinte mil preservativos foram enviados para o município para serem distribuídos aos brincantes. “Sem a parceria com o governo do Estado não teríamos essa quantidade de preservativos e não conseguiríamos alcançar o volume de público que estimamos. A ação está com uma boa aceitação dos foliões”, explicou Renata Albuquerque, coordenadora da equipe de saúde do carnaval 2012.

As irmãs Valdilena e Adrilene Magno, aprovaram a ação. “É bacana que aqui na Praça da Cultura, bem no meio da festa, estejam distribuindo camisinhas. No carnaval a gente tem que cair na folia com segurança”, disse Adrilene. “É bacana porque aqui no meio de todo mundo a gente não tem vergonha de pegar camisinha. Vergonha é pegar uma doença ou engravidar sem querer”, emendou Valdilena.

Segundo a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, durante o período de carnaval, a cidade recebeu mais de 25 mil turistas. “O carnaval daqui é famoso faz tempo e somos orgulhosos disso. A cada ano aumenta o número de turistas que passam pela cidade nessa época e alavancam a economia local”, disse a titular da secretaria, Rosangela Carvalho.

Seu Altino vendeu toda a produção de geléia de cacau, iguaria típica de Óbidos, antes mesmo da chegada da terça-feira gorda. Dentro do mercado municipal onde vende seus produtos, ele comemorava o sucesso das vendas. “Os turistas vieram e levaram tudo. Isso é muito bom pra gente que tira daqui o nosso sustento”. (Ag. Pará)

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