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Carnaval terminou, é hora de voltar à rotina

A música ouvida ao fundo dita o clima do feriado que encerra as festividades do carnaval 2012. Logo no início da manhã de Quarta-feira de Cinzas, o ritmo lento e a voz calma da cantora Ana Carolina é o que toca no rádio instalado na oficina em que trabalh

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A música ouvida ao fundo dita o clima do feriado que encerra as festividades do carnaval 2012. Logo no início da manhã de Quarta-feira de Cinzas, o ritmo lento e a voz calma da cantora Ana Carolina é o que toca no rádio instalado na oficina em que trabalha o pintor Nilton Macedo.

Localizada na avenida que deu espaço a várias manifestações da festa carnavalesca de Belém, na avenida Pedro Miranda, o local de trabalho agora dá lugar ao ritmo desacelerado do retorno do feriado. “A gente acorda sabendo que acabou o carnaval e dá aquela preguiça. É bem estranho ver tudo assim, mas é bom também”, diz.

Depois de servir de passarela para mais de vinte escolas de samba, a rua vai voltando à rotina aos poucos. Antes interditada, na manhã de ontem a avenida já voltava a ser caminho de alguns veículos. Junto com eles, caminhões dividiam espaço levando as estruturas de ferro que ainda permaneciam no local. Últimos resquícios dos quatro dias de folia.

Destaque da Escola de Samba Mocidade Unida do Bengui como ‘nega maluca’, ao fim da folia, Juciene Araújo voltou à profissão habitual. Antes de iniciar o atendimento aos clientes no restaurante onde trabalha como garçonete, ela retirava da calçada o resto do carnaval que ainda estava pelo caminho. Confetes, latinhas de cerveja, fantasias... rastros da festa que passou por ali. “A gente tem que voltar pra rotina. Limpar tudo que deixam aí pra começar tudo de novo”.

A consciência da volta ao trabalho se traduz nas ações desenvolvidas desde o início do dia. O acordar cedo, a disputa para pegar o melhor lugar no ônibus, o início das tarefas. Ainda assim, o sentimento ainda pede por mais.

No coração de Juciene, muito ainda haveria de comemoração neste carnaval. “Queria mais, passou muito rápido”, avalia. “Mas, para mim, o carnaval só termina depois que tiver o resultado das escolas de samba. Minha escola pode subir para o Grupo A esse ano”.

Presidente Vargas retomava movimento

Exemplo claro da movimentação e do congestionamento do trânsito da capital paraense, a avenida Presidente Vargas deu ouvido até ao canto dos periquitos que se abrigavam ao alto das mangueiras na manhã de ontem.

Sentado no carro que lhe serve de instrumento de trabalho, o taxista Wellington Moraes já previa o fim da tranquilidade nem tão comemorada. “À tarde, isso aqui já vai estar fervendo. Por enquanto, fica esse clima de ressaca, de segunda-feira”.

Apesar da pouca quantidade de carros que passavam pela avenida no período da manhã, nos dias de folia a calmaria era mais aparente. Segundo Wellington, nem as poucas pessoas que circulavam em frente aos bancos e lojas ainda fechados eram vistos nos dias anteriores. “Não tinha nada. A situação era até inusitada.”

Apesar de ter trabalhado na maior parte dos dias de carnaval, a festa deixará saudades no taxista por outros motivos. Diante da concentração de pessoas nos muitos blocos que movimentaram Belém durante o feriado prolongado, a opção era migrar do ponto demarcado na Presidente Vargas. “Em uma noite, no carnaval, eu cheguei a fazer trinta corridas. Hoje, até agora, eu fiz apenas três”, contabilizava. “A gente sente falta do dia de folga que, para mim, foi só ontem, mas a gente tem contas para pagar e a vida tem que seguir em frente”.

Já para o técnico em manutenção de celulares, João Pinto, o clima do carnaval se foi sem muita demora. Com os sapatos lustrados, calça social e camisa de botões, ele já estava pronto para o trabalho desde o início do dia. Em contramão à disposição de João, o centro comercial de Belém ainda amanheceu preguiçoso. “Acho que vim cedo demais. Tava por fora que só ia abrir (o Comércio) depois das 12h”.

Sentado na entrada de uma das lojas, João esperava pelo início meio ‘atrasado’ do dia de ontem. Apesar da folga conquistada pelo feriado voltado para o descanso, os compromissos já o despertavam antes mesmo do carnaval. “Tenho coisas para resolver. Eu vim buscar umas peças para começar a trabalhar. Tenho encomendas pra consertar desde antes do carnaval”. (Diário do Pará)

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