Um grupo de trabalhadores da construção civil está reunido, na manhã desta quinta-feira (23), em um canteiro de obras da Status Construções, na Avenida Augusto Montenegro, em Belém (PA). Apesar da reivindicação e da presença da polícia no local, o clima é tranquilo e o trânsito flui normalmente.
Segundo Antônio Francisco, do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Pará (STICMB-PA), a paralisação é para reivindicar a morte de dois trabalhadores e a falta de segurança nos canteiros de obra.
“Não queremos chamar atenção apenas para essa obra. Belém se tornou um canteiro de obras e não existe política de segurança. No ano passado foram oito mortes”, ressaltou Antônio Francisco.
Além da segurança, os trabalhadores também reivindicam as péssimas condições nos locais de trabalho.
“Se você for em qualquer obra o principal problema é a água, que seria o mínimo. Em alguns locais também não tem papel higiênico. Sem falar do assédio moral”, contou Antônio.
Neste momento, dois representantes do sindicato e familiares das vítimas, estão reunidos com uma comissão da Status Construções para tentar negociar.
“Queremos que eles paguem a indenização direto para o sindicato e não leva para a justiça, se não vai demorar muito tempo para as famílias receberem”, disse José Oliveira, secretário geral do sindicato.
A convocação dos operários veio depois do acidente em que quatro operários ficaram soterrados após terem sido deslocados para trabalhar dentro de uma escavação, com cerca de quatro metros e meio de profundidade, supostamente sem condições adequadas de segurança.
Dois deles, Francisco Cirilo da Silva, 31 anos, e Abraão Teixeira Figueiredo, 18 anos, morreram a caminho do Hospital Metropolitano. Os outros, Edílson Ferreira Vieira, e Gleuson Cavalcante Monteiro, foram retirados com vida, mas ainda estão internados.
Antônio afirmou que o tempo de paralisação vai depender da empresa, que conforme ele disse, não assume o ocorrido.
“Eles estão dizendo que a obra é de outra empresa, que só cederam o terreno. Mas é uma obra da Status e tudo o que acontece dentro do canteiro da Status, é de responsabilidade dela. E enquanto a empresa não conversar conosco não vamos voltar”.
Em nota enviada ao DOL, a Status Construções não se pronunciou sobre a manifestação dos operários e diz que "o acidente ocorrido no último dia 17 de fevereiro, não possui relação com o projeto do empreendimento Chácaras Montenegro". A empresa diz ainda que "apesar de o acidente ter ocorrido dentro do terreno pertencente à Status Construções, a fim de atender a uma obrigação legal, a empresa cedeu a área ao consórcio CCB e Fujita para viabilizar a execução do serviço de passagem de tubulação, obrigação esta prevista no artigo 1.286 e 1.287 do código civil". (DOL)
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