Com árvores centenárias, famosas pela sombra que proporcionam e a atmosfera amazônica, os belos corredores verdes de Belém, apesar de agradáveis, estão se tornando inimigos de muita gente. Os motivos são os constantes acidentes envolvendo as árvores, que muitas vezes causam prejuízos a pedestres e motoristas, até com consequências mais sérias.
Há cerca de dez dias, o empresário Edson Santos estava a dois quarteirões de seu destino final, na avenida Generalíssimo Deodoro, próximo à avenida Nazaré, onde iria buscar a filha no colégio, quando um tronco de aproximadamente 70 centímetros atingiu o para-brisa traseiro de seu carro, enquanto ele saía do estacionamento de uma clínica. “O carro ainda estava com a parte de trás na calçada, na saída do estacionamento. Na hora do susto, achei que tivesse explodido alguma coisa”, relata.
Segundo o empresário, um de seus empregados ocupava o banco traseiro do veículo e por pouco não foi atingido. “Graças a Deus não aconteceu nada mais grave, poderia ter sido pior, pois tinha chamado minha filha para encontrar comigo na clínica e ela estaria sentada no local onde o tronco caiu”, avalia o empresário.
O estrago levaria a um prejuízo de quase cinco mil reais ao empresário, que só não terá que pagar o valor total porque o carro está no seguro. “Agora vou procurar as autoridades competentes para que possa acertar os detalhes”. Edson Santos registrou ocorrência e fará perícia no veículo para encaminhar o processo à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma).
Acidentes como esse já se tornaram rotina em corredores do centro de Belém. Gilberto Pinto, professor universitário, cujo carro recém-comprado não está segurado, escolhe com cautela pontos para estacionar. “É bem complicado, a gente fica com medo de chegar do trabalho e ver uma manga enfiada no para-brisa, ou amassando a lataria. O veículo é um investimento caro”, comenta o professor.
Segundo o advogado Paulo Barradas, presidente da Comissão de Direito da Ordem dos Advogados do Brasil no Pará, as pessoas que forem lesadas por incidentes desse tipo têm direito a indenização. “Órgãos como a Funverde, gerida pela Semma, são responsáveis pela saúde da vegetação em logradouro público. Qualquer eventualidade envolvendo prejuízo em razão da falta de saúde dessas árvores é de responsabilidade do órgão gestor” afirma.
Logística complicada dificulta manutenção
“As árvores, principalmente da região central de Belém, são muito antigas e precisam de cuidados redobrados. Nosso trabalho de manutenção da saúde e prevenção de acidentes fica comprometido pela falta de tempo e espaço, já que a maioria das ruas que comportam esses corredores é de grande fluxo”, argumenta Simone Brito, diretora do Departamento de Áreas Verdes Públicas, da Semma.
Procedimentos de manutenção, que vão desde a retirada da chamada “erva-de- passarinho”, espécie de parasita que se alimenta dos nutrientes das árvores e enfraquece as extremidades do vegetal, até o estudo para saber a “biografia” da espécie, são ações que podem prevenir a quebra e a queda de galhos ou até mesmo pedaços da árvore.
“Mas nossas ações acabam sendo prejudicadas por conta da logística. Para fazer a poda das árvores, é preciso interdição do trânsito, desligamento da rede elétrica e isso só é possível nos finais de semana”, declara Simone.
Segundo a diretora, a Semma está programando mais manutenções para este ano.
Sobre os acidentes, a diretora do Departamento de Áreas Verdes Públicas garante que, mediante comprovação do acidente, que passa inclusive por perícia feita por técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, os prejudicados são ressarcidos.
“Diariamente temos quatro técnicos que ficam em ronda na cidade”.
SERVIÇO DE PODA
Os serviços da Semma podem ser solicitados via telefone, carta ou requerimento. Telefones: 3241-6332, 3241-6169 e 3241-6853. Funciona das 8h às 13h. (Diário do Pará)
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