O condutor que trafega por Belém é profundo conhecedor dos transtornos causados pelas irregularidades nas vias abertas à circulação na cidade. A regulamentação imposta pelo Código de Trânsito Brasileiro tem sido desrespeitada de diversas formas. Entre elas, a questão das lombadas.
Segundo a Companhia Municipal de Transportes de Belém (CTBel), na capital paraense cerca de 80% das lombadas são irregulares, feitas pelos próprios cidadãos. Este índice representa mais de mil elevações em vias, que trazem riscos para condutores e transeuntes. O DIÁRIO foi às ruas, em pontos da cidade em que a própria população se mobilizou e construiu lombadas para coibir o que identificam como falta de prudência de motoristas.
No bairro da Condor, por exemplo, na Rua Gaipós, nas proximidades da Travessa Apinagés, a população construiu várias lombadas ao longo da via. O motivo: a insegurança. De acordo com Aline Damasceno, 26 anos, moradora do bairro, a preocupação com as crianças foi o principal motivo para que um grupo de vizinhos se reunisse e perfurasse o asfalto para construção das lombadas, há mais de 10 anos. “Ela continua aí, resistindo ao tempo e ajudando a nos dar paz. Antes era complicado, qualquer acelerada de moto já arrastava toda a vizinhança para os portões de suas casas”, contou a jovem.
Enquanto a população clama por atenção e bom senso de quem dirige, existe ainda a falta de manutenção por parte dos órgãos competentes naquelas lombadas já existentes. De acordo com o diretor de trânsito da CTBel, Elias Jardim, para se fazer uma lombada é necessário que seja realizado um estudo técnico, avaliando a necessidade da existência naquele local. Por isso qualquer lombada que não seja realizada pelo órgão responsável é irregular. “Existe uma altura, um comprimento, sinalização vertical e horizontal, um estudo para que essas lombadas sejam todas padronizadas, até porque o Código de Trânsito recomenda que a colocação de lombadas deve ser feita em último caso”, explica.
Mas, mesmo em casos em que esses redutores de velocidade foram instalados pela prefeitura, é possível verificar problemas. É o caso de uma lombada que fica na Rua Antônio Everdosa, entre as travessas Humaitá e Chaco. No local não existe sinalização vertical (placas), nem horizontal (pintura amarela em cima da elevação), mesmo o instrumento tendo sido construído pela própria prefeitura de Belém. “Há muitos anos que essas sinalizações não estão aí. Quando chove então, fica bem pior. Já aconteceu de carro bater carro, bater gente, bater animal. Tudo por que não enxergaram a lombada. É um perigo”, alerta o aposentado Raimundo Botelho, 90 anos, que mora com a família em uma casa bem em frente à lombada.
CTBel montará força-tarefa para adequar lombadas
Nos estudos que são feitos pela CTBel para autorizar ou não a construção de lombadas, são avaliados os dados estatísticos de acidentes ocorridos nos locais solicitados, além da velocidade permitida na via e a quantidade de pessoas que transitam por ela diariamente. Só quem pode construir lombadas é a própria CTBel, a partir de projeto feito pela companhia. “Se moradores de uma rua estão sentindo a necessidade de construírem uma lombada, eles precisam fazer um documento com as assinaturas dos moradores e encaminhar para a CTBel. A partir disso, enviamos uma equipe para avaliar se nesta rua existe a real necessidade de se construir a lombada, e então nós a construímos”, explica Elias Jardim.
O diretor de Transporte da companhia afirmou que está chamando as secretarias competentes para realizarem uma ação conjunta nos locais em que existem lombadas irregulares. “Nós sabemos que existe realmente a necessidade de lombadas em certos locais em que a CTBel ainda não fez, por isso moradores já tomaram a iniciativa. A partir desta ação conjunta, vamos readequar essa lombadas, com sinalização e a medição correta das mesmas”, confirma Elias Jardim.
(Diário do Pará)
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