A revitalização do espaço destinado à feira da Cabanagem, que compreende o mercado e feira do peixe, proposta pela Secretaria Municipal de Economia (Secon), tem gerado polêmica entre os feirantes, sobretudo com relação ao remanejamento dos trabalhadores.
As reclamações começam pela falta de clareza no cadastramento dos feirantes que seriam remanejados para as barracas provisórias durante a obra, assim como os que voltariam para o mercado já reformado. Segundo a autônoma Dayse Queiroz, 35, o problema maior é com os fiscais da Secon. “Tive colegas que foram cobrados para terem uma barraca na feira provisória”, alegou a autônoma, que há três anos trabalha no local, mas não conseguiu se cadastrar.
Outro ponto de questionamento do projeto refere-se ao espaço do mercado. São aproximadamente 240 metros ocupados por cerca de 150 feirantes. No entanto, segundo o atual projeto de revitalização, uma área de quase 290 metros, incluindo uma invasão onde moradias já foram construídas, seria destinada a abrigar o novo mercado e também um estacionamento. Mas Sales Silva, proprietário de um ponto no mercado há quase dez anos discorda.
“Temos informação de que o terreno em que o mercado foi construído não é da prefeitura, assim como o terreno da invasão, que está sub judice, pois os moradores que estão aqui já ocupam a área há quatro anos”, afirma. “Não temos nada contra a obra, só queremos que seja feita dentro da legalidade”, disse.
ESPAÇOS
Os desacordos acabaram afetando a relação entre os próprios trabalhadores da feira, que já brigam entre si pelos espaços. “Se formos ignorar o terreno da invasão, serão cerca de 80 centímetros para cada trabalhador. Isso gera confusão entre as pessoas”, lamenta Sales. A revolta dos feirantes está refletida nos destroços das barracas provisórias que, feitas em madeira, foram queimadas e depredadas em um recente protesto.
Muitos dos feirantes optaram por não aceitar o remanejamento para o espaço provisório. Segundo Sales Silva, o problema é a distância dos pontos. “Como a feira provisória fica longe, muita gente fica com medo de acabar perdendo seus fregueses”.
Unidos aos moradores, eles reclamam da falta de assistência e saneamento, e temem que a obra piore a situação da área. Poucas são as calçadas ao longo da rua Henrique Dias, que dá acesso à feira. Asfalto é artigo de luxo e os restos de comida, lixo e vísceras dividem com as barracas o pequeno espaço, o que sobra mal dá para um veículo passar.
“Quando chove aqui a água chega ao joelho. Tem um açougue aqui em que o dono morreu de leptospirose. Então é natural que a gente fique apreensivo com o que vai ser feito, pois já é ruim, então uma obra que pode atrapalhar o trânsito, afastar a clientela precisa ser boa mesmo”, sintetiza Salis. (Diário do Pará)
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