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Cartão de crédito é o vilão do calote

“Novo ano, novas dívidas”. Muita gente não concorda com a frase, mas a verdade é que, para a maioria das pessoas, o início de ano vem acompanhado de muitas dívidas. As contas rotineiras de água, luz e telefone, IPTU, IPVA, matrícula dos filhos que estudam

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“Novo ano, novas dívidas”. Muita gente não concorda com a frase, mas a verdade é que, para a maioria das pessoas, o início de ano vem acompanhado de muitas dívidas. As contas rotineiras de água, luz e telefone, IPTU, IPVA, matrícula dos filhos que estudam em escola particular, o material escolar e, sem esquecer, as dívidas com as compras do Natal. Todas as dívidas contraídas no final de ano e as demais vêm juntas e muitos optam em pagar as contas essenciais, deixando de lado a fatura do cartão.

Tal atitude, segundo dados divulgados essa semana pelo Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), representa um aumento na inadimplência para o setor de comércio e serviços que ultrapassou os 20% em 2011.

De cada 5 compras efetuadas, uma deixa de ser paga e gera um efeito “bola de neve” para o devedor.

Joy Colares, diretor do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Belém (Sindilojas), diz que não há surpresas quanto a esse costumeiro aumento na inadimplência no início de ano para o setor. O que há, diz ele, é um crescimento no percentual nos últimos anos. Isso se justificaria em razão do aumento do crédito oferecido pelas empresas, operadoras de cartão de crédito e financeiras.

“Na ânsia de comprar, o consumidor compra. Um exemplo, chega o fim de ano e você compra uma camisa de R$120,00 e parcela de 4 vezes. Sua mulher quer uma bolsa de R$350, e a pessoa parcela em mais 4 vezes, sua filha quer uma boneca e seu filho um game de R$200,00. A pessoa acredita que a parcela do cartão vai caber no orçamento do mês, mas esquece que essa compra vem acompanhada do IPTU, IPVA, a escola dos filhos, o material escolar e falta para pagar o cartão. E então deixa de pagar, o que é o pior de tudo”.

Colares alerta para quem quer evitar ou se livrar de uma dívida: o principal erro é deixar de pagar a fatura do cartão. Ele destaca que os juros das dívidas no cartão chegam a 12% ao mês. O Idebec também alerta para essa armadilha. Somados à multa, juros por atraso e cobrança indevida de comissão de permanência, a conta pode passar dos 15% ao mês sobre as parcelas não pagas. Para se ter uma ideia do que isso representa para o bolso do consumidor, em um mês o usuário devedor é cobrado em taxas de juros equivalentes a 18 meses de rendimento da poupança.

Crediário fácil é “armadilha”

A facilidade para se adquirir crédito, seja ofertado pelas lojas, às operadoras de cartão, financeiras ou ainda as tentadoras ofertas de pagamento em até 12 vezes ou mais são o começo da desgraça para quem não controla os gastos. Um conhecedor do mercado conta que o fato de alguém atrasar o pagamento da fatura do cartão é, na verdade, um ótimo negócio, menos para quem está devendo. Mas as vantagens não são somente para as operadoras, como também para as lojas. “Todos ganham. A operadora vai lucrar com os juros e as lojas, quando fazem aquelas promoções de fim de ano para que a pessoa quite as dívidas, derrubando os juros, também estão lucrando. É a lógica do mercado, sempre foi assim”, afirma a fonte.

Contrair dívidas é fácil. O difícil é se livrar delas. Mas o presidente do Conselho Regional de Economia (CRE), Antonio Ximenes, ensina algumas formas para quem está atolado com as contas a sair do sufoco. “A primeira dica é que a pessoa não comprometa sua renda até o limite e deve buscar alternativas para quitar essas dívidas”, orienta.

Ximenes explica que para quem tem conta bancária pode optar pela portabilidade da dívida. “O banco assume essa dívida e a converte em dívida bancária, onde os juros são muito mais baixos, de no máximo até 3% ao mês, enquanto que o dos cartões é de 12%. E ainda a pessoa pode parcelar de uma forma que não pese tanto na renda mensal”, afirma o economista.

Outra forma de se livrar das dívidas é tomar dinheiro emprestado com juros menores que os do cartão, como no caso de financeiras. “Mas isso é apenas um alongamento do perfil da dívida. Troca-se uma dívida por outra e com prazos mais longos para pagar. Quem utiliza muito esse tipo de situação são prefeituras e empresas. E a dica é a mesma a parcela de pagamento tem de caber dentro do orçamento da família”, orienta Antonio Ximenes.

O Ibedec também orienta como se livrar das dívidas do cartão. A primeira delas é procurar a administradora de seu cartão de crédito e verificar a possibilidade de acordo para cancelar ou suspender o cartão, reduzir a dívida e parcelar o pagamento.

Outra possibilidade, e que a maioria das pessoas desconhecem, no caso de se não conseguir um acordo administrativo ou uma linha de financiamento para quitar a dívida, o consumidor pode recorrer à Justiça comum. A pessoa pode entrar com uma ação judicial, onde o cidadão pode questionar o valor dos juros cobrados e que não podem exceder a média do mercado divulgada pelo Banco Central. Além disso, o valor da capitalização de juros e a cobrança de multas indevidas.

Com essa medida o consumidor pode conseguir uma boa redução na dívida, mas obrigatoriamente terá de oferecer um valor para depositar, mensalmente, em juízo, se quiser “limpar seu nome” do Sistema de Proteção Crédito e do Serasa. O valor estabelecido pela Justiça nessas situações tem sido fixado no máximo em 30% da renda do consumidor.

Por fim, os clientes que não tenham o contrato do cartão devem solicitar uma via para a administradora. Caso tenham negado este direito, podem pedir a juntada deste contrato em ação judicial sob pena de multa, informa o Idebec.
(Diário do Pará)

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