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Ato pediu paz e justiça em Mosqueiro

Alegre, carismático, companheiro. O garoto que dedicou a juventude ao catolicismo frequentava a paróquia de Nossa Senhora do Ó em Mosqueiro, era querido por todos e deixou saudades. O adolescente, de apenas 16 anos foi assassinado a facadas, na segunda-fe

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Alegre, carismático, companheiro. O garoto que dedicou a juventude ao catolicismo frequentava a paróquia de Nossa Senhora do Ó em Mosqueiro, era querido por todos e deixou saudades. O adolescente, de apenas 16 anos foi assassinado a facadas, na segunda-feira de Carnaval (20/02) na Praia Grande, no distrito de Belém. Nada na personalidade do rapaz remete à barbárie a que foi submetido antes de morrer. A crueldade do crime chocou a população, que clama por paz.

Paz é o que pede o distrito. Ainda na entrada, feita com arbustos na rotatória, a palavra está escrita três vezes. Na cidade, as ruas foram tomadas pelas quase 500 pessoas que participaram da caminhada que ontem pela manhã lembrou a morte. Rezavam baixinho enquanto percorriam o caminho até a igreja matriz, em comoção.

O jovem estava ali, estampando as camisetas brancas distribuídas a amigos e parentes. Sorridente na foto, ele apareciavestindo branco com um crucifixo no peito. A, homenagem se completava com as mensagem “lembrar da pessoa que partiu preenche a tristeza da ausência com o calor da recordação de tudo que construiu”. E aos 16 ele parece ter construído muito.

Uma procissão formada principalmente por jovens e crianças seguia silenciosa pelas ruas da “Ilha do Amor”. Nas três paradas, os protestos vinham em forma de orações em frente à delegacia, ao quartel da Polícia Militar e da casa da avó de Patrick. Lágrimas brotavam nos rostos de adolescentes. A tristeza pela perda do amigo, do vizinho e da juventude revolta os moradores.

Lágrimas nos olhos verdes de Aílton Almeida, 15. O jovem que chegou a frequentar a igreja junto com Patrick lembra do rapaz com carinho. “Ele adorava a igreja. Era a vida dele”. O crime inexplicável comove Aílton, que pensa nas crianças da paróquia de Nossa Senhora do Ó, onde Patrick se transformava no palhaço Tio Caneludo e alegrava as noites de domingo no salão paroquial. “Ninguém sabe como explicar para elas [crianças] que o Tio Caneludo não vai mais, nunca mais, estar no salão paroquial”.

A chegada à igreja Matriz, os participantes se uniram em um círculo. De mãos dadas eles rezaram e clamaram pelo fim da violência. “Chega de violência, queremos respeito à vida, queremos paz”, bradavam em coro. Já na igreja, a missa de sétimo dia foi marcada por homenagens de amigos e colegas da própria igreja.

O olhar inconsolável de Aguinaldo Silva denunciava a dor e o sofrimento do pai, que viu o filho agonizar e pedir justiça. Com a cabeça entre as mãos, ele mal tinha forças para seguir o rito, e permaneceu sentado a maior parte do tempo. “Minha única esperança é que a justiça seja feita, é só nisso que eu penso”, disse Aguinaldo.

O pedido de justiça é o que une o casal que, no dia 16 de fevereiro de 1996 deu a luz ao garoto, e perdeu o filho quatro dias depois do aniversário de 16 anos dele. Divorciados, os pais sentaram em bancos diferentes, mas o abraço entre eles pareceu ser a tentativa de consolar um ao outro pela perda do filho que um dia já os uniu. Mas é a dor que, agora, os coloca juntos outra vez.

Serena, a mãe do adolescente olhava fixamente para o teto, como se o que visse estivesse além da morada de Nossa Senhora do Ó, a quem o filho era fiel devoto. Enquanto ouvia os depoimentos ela concordava com as histórias que eram contadas sobre o rapaz, e chorou calada, sussurrando vez ou outra o nome do filho. “Eu já falei muito mal de Deus, maldizia, mas agora... Eu sei que Deus queria meu filho junto dele, ele era bom, e sei que quando ele estava lá... quando ele estava lá, Deus carregou ele no colo, e o levou para junto dele”, desabafou Cliviane Botelho, num pranto dolorido e comovente, apertando a mesma cruz que o garoto usara na foto, estampada no peito dela e das centenas de participantes.

O CASO BARBÁRIE

O adolescente foi encontrado ainda com vida, esfaqueado, amordaçado e amarrado com as próprias roupas na última segunda, próximo à Praia Grande, em Mosqueiro. Possivelmente violentado, apresentava também seis perfurações e marcas de pneus no tórax. Socorrido e levado ao hospital do distrito, foi transferido ao Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, em Ananindeua, onde não resistiu. (Diário do Pará)

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