“É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária”. É o que garante o artigo 3º do Estatuto do Idoso. Mas a vida de muitos deles, como Augusta dos Reis de Souza, moradora da Cabanagem, é bem diferente do que garante o papel.
Aos 72 anos, dona Augusta, nascida no dia 28 de agosto de 1936, no município de Maracanã, segundo consta na desbotada Carteira de Identidade dela, apesar de possuir uma filha, identificada somente pelo prenome Shirley, e sete netos, amarga o abandono, sobrevivendo sozinha, sem nada e sem ninguém, trancafiada num cubículo imundo na invasão Boa Conquista.
Rodeada por tijolos, telhas, pedaços de pau, lixo, água acumulada pelos cantos, fezes, restos de comida e uma sacola velha onde ela guarda os únicos documentos que lhe restaram: além da carteira de identidade, o cartão de uma conta de banco, onde provavelmente ela recebe a aposentadoria. Dona Augusta tem como companhia somente dois gatos e um cachorro tão desnutridos quanto ela.
Até mesmo o dinheiro deixou de atrair os parentes de dona Augusta, que vive sozinha há quase um ano, desde que mataram a tiros o filho que morava com ela no barraco de um cômodo que ela ocupa. Aparentando confusão, ela chora ao lembrar dos pais, mas não consegue manter uma conversação.
Quem se apiedou da situação da senhora foi o encarregado de obra Jonatan Costa de Andrade, 30 anos, vizinho dela, que ligou para o DIÁRIO para denunciar a situação da idosa. Ele conta que os vizinhos ajudam com comida, mas diz que ela tem um “gênio forte” e não permite que ninguém entre para limpar o local onde vive. Desnutrida e fraca, a idosa aparentemente deixou de sair, como fazia até pouco tempo, por causa também de um tumor que ela tem nas nádegas.
Segundo Jonatan e os vizinhos, ela ainda saía sozinha até bem pouco tempo, mas agora só vive deitada na rede e depende da caridade alheia para sobreviver. “A situação dela está se agravando. Queria que ela fosse levada para um abrigo ou que chamassem a filha para tomar conta dela. Alguém tem que tomar uma providência, porque é desumano como ela está vivendo”, declarou o vizinho, consternado com a situação da idosa. (Diário do Pará)
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