Se no Brasil a culinária tem influências principalmente dos africanos, indígenas e do branco europeu, no Pará não foi diferente. De Portugal veio a apreciação por doces. Dos índios, a importância da mandioca, que faz parte da culinária típica de quase todos os estados. E as escravas africanas contribuíram com a inserção de diversos elementos da cultura de seu continente de origem, já que grande parte delas trabalhava na cozinha das fazendas.
Aqui, na região Amazônica, é impossível falar de gastronomia sem pensar na natureza, a maior provedora das iguarias básicas do nosso dia a dia, como o camarão, o caranguejo, mariscos, peixes, aves, caças, pato, folhas, ervas e pimentas. E essa culinária envolve magia, história e a trajetória de um povo que fez do espaço físico privilegiado a sua cultura.
Considerada o camaleão da cozinha regional, a mandioca é um dos ingredientes mais utilizados nos pratos paraenses. Ao lado do cacau, ela é um dos elementos típicos da América - só conhecido pelo resto do mundo durante as grandes navegações. Antes da colonização, era dela que dependiam os índios, que viviam essencialmente de peixe, farinha e frutas. Até o início do século XX, as comidas típicas eram familiares e mais humildes.
Divergências entre o que seria originário ou não da região marcam alguns pratos como a maniçoba, o vatapá e o tacacá. Mas o historiador Aldrin Figueiredo garante: “Cada cultura se apropriou de forma distinta, mas os registros mostram que aqui na Amazônia a presença desses três alimentos é mais antiga”.
Lencinhos a postos, ingredientes às mãos: prepare-se para ingressar num mundo peculiar - muitas vezes entre o prazer e o veneno - que envolve a gestação da identidade de um povo que fez da culinária um dos pilares de sua cultura.
Saiba mais
A ERA DO FOGO
No início da história humana, os alimentos eram vegetais ou animais caçados para esse fim, consumidos crus. Com a descoberta do fogo, os alimentos passaram a ser cozinhados, o que aumentou a sua digestibilidade, possibilitando o desenvolvimento orgânico do homem.
ENLATADOS EM ALTA
Nas duas grandes guerras mundiais faltou alimento in natura. Foi quando os enlatados ganharam mais espaço na indústria alimentícia mundial. (Diário do Pará)
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