Para chegar em seu destino, a dona de casa Maria Guilhermina precisa sair de onde mora, em Icoaraci, às 7h. Até a parada de ônibus é um quilômetro de caminhada, e mais duas horas até a unidade de saúde onde realiza os exames de rotina. Para a mulher de 57 anos, os desafios enfrentados são necessários para garantir os cuidados com a saúde e a valorização de sua condição feminina. “Vale a pena enfrentar qualquer coisa pra cuidar da saúde”.
Os anos de trabalho doméstico e problemas decorrentes da idade já fazem com que a saúde de Maria Guilhermina não seja mais a mesma da juventude. A pressão alta lhe leva constantemente a exames médicos, a visão comprometida do olho esquerdo dificulta sua locomoção sozinha. Para ela, mais importante do que qualquer outro direito está o de se cuidar. “A saúde vem em primeiro lugar”, afirma. “Cuidar da saúde é uma prova de que a gente tem valor. Todo ano eu tenho que fazer meu preventivo”.
A dona de casa Maria Raimunda Lima cuida da saúde de várias formas. Para ela, além dos exames necessários para acompanhar e prevenir complicações na gestação do quinto filho, a comunicação com as crianças já maiores é, também, a prática da prevenção a doenças. “Principalmente quando a gente fica grávida, a gente tem mais cuidado de ir ao médico”, acredita. “E tenho três filhos vivos, dois homens e uma mulher. Eu converso muito com eles sobre isso. Saúde é orientar também”.
Para garantir a saúde do menino que está por vir, doana Maria viaja de Muaná (na Ilha de Marajó) a Belém todo mês. “Eu sou muito bem orientada. Quando a mulher fica grávida fica mais sensível e se preocupa mais com a saúde”.
A responsabilidade com a saúde pessoal e dos filhos também ocupa boa parte do tempo de Maria Célia Castro. Aos 56 anos, a dona de casa mantém uma rotina rigorosa. Todo ano é ano de marcar consultas, organizar os horários, fazer exames. “Sou matriculada nesse sistema de saúde e eles já têm uns dias pra marcar. Sigo essa programação”.
A preocupação com os cuidados à saúde surgiu de forma mais enfática em Maria Célia quando ela precisou enfrentar uma mudança brusca em seu organismo. Os efeitos causados pela menopausa fizeram com que ela passasse a ver a saúde da mulher de forma diferente. “Tenho dois filhos homens e duas mulheres. A mulher requer atenção maior, precisa de mais cuidados. Sempre andei nos postos de saúde para pegar ficha”, lembra. “O papel da mulher é cuidar da saúde de si e dos outros”, afirma.
Somente na Unidade de Referência Materno Infantil e Adolescente (Uremia) cerca de 700 mulheres são atendidas todos os dias. São pessoas que, não necessariamente estão em busca de prevenção, mas que, mesmo após o desenvolvimento de alguma suspeita de doença, procuram ter maiores cuidados. “A mulher já está mais presente nas unidades de saúde. Já se criou uma cultura de que a mulher se cuida mais”, acredita a diretora da Uremia, Karine Nascimento.
Cuidados com a saúde devem começar na adolescência
De acordo com a médica Albaneide Guerra, especialista em saúde adolescente, os cuidados com a saúde feminina devem começar bem cedo. “A adolescência começa por volta dos 10 anos e vai até os 20, mas é claro que os sinais de puberdade não são iguais para todos. Para tanto, é preciso perceber as mudanças e, a partir daí, iniciar os cuidados com a saúde da mulher”, indica a médica.
Ter uma alimentação saudável e higiene adequada são pontos primordiais para a adolescente, e a primeira visita ao ginecologista deve acompanhar o início da atividade sexual. “A partir daí um dos primeiros exames a ser realizado é o preventivo, que vai localizar e identificar alterações vaginais, entre elas o câncer”.
Mas os exames de rotina também não são descartados pela médica. ”Hemograma, urina, entre outros, são exames que devem acompanhar a rotina de exames. Ausência de sintomas e doenças não necessariamente significa estar saudável”, lembra.
ALERTA
Os cuidados que precisam começar ainda na adolescência,devem continuar em toda a fase adulta da mulher. Por causa do ritmo atual de trabalho e sem vida saudável, os riscos com a saúde só fazem aumentar com o passar do tempo. “Para além da adolescência, a mulher precisa ter em mente que o seu corpo precisa de cuidados específicos, e que exames como o preventivo, a ultrassom pélvica, a mamografia devem ser feitos com certa frequência, ou sempre que algum sinal diferente aparecer”, quem dá o alerta é Rita Beltrão, coordenadora de Saúde da Mulher, da Secretaria de Estado de Saúde Pública.
Ela afirma que desde os primeiros sinais de atividade sexual, a mulher já deve se atentar para os cuidados com o corpo. “Além dos exames específicos, fazer a testagem de HIV e doenças sexualmente transmissíveis também deve estar na agenda de qualquer mulher, independente do número ou da ausência de parceiros”. (Diário do Pará)
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