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Carrinheiros levam de tudo para ganhar a vida

É comum ver na cidade carroceiros transportando lixo, entulho, madeira e sucata. Eles tiram de um canto e jogam em outro. São chamados, na verdade, de carrinheiros. Puxam e empurram carrinhos de madeira pesados por todas as ruas, todos os dias. A profissã

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É comum ver na cidade carroceiros transportando lixo, entulho, madeira e sucata. Eles tiram de um canto e jogam em outro. São chamados, na verdade, de carrinheiros. Puxam e empurram carrinhos de madeira pesados por todas as ruas, todos os dias. A profissão continua crescendo, mas a função tem mudado um pouco. Trocar lixo de lugar não é mais um bom negócio. O ramo agora é fazer frete e vender sucata. Juntando daqui, dali e vendendo acolá eles chegam a faturar R$1200,00 por mês.

Guilherme di Paula, carrinheiro há 10 anos, estava procurando madeira na avenida Perimetral para vender. Ele trabalha das 6h até o final da tarde e garante que chega a fazer R$70,00 por dia. “No centro a gente ganha mais, aqui o pessoal paga pouco”, conta. Com esse dinheiro ele sustenta a mulher e os três filhos. Guilherme admite que já jogou lixo na rua quando pagavam. “Eu faço de tudo com essa carroça, se me pagarem em transporto tudo. Mas lixo dá muito problema, a gente acaba arranjando confusão e se a prefeitura pega tiram a carroça da gente”, explica.

O carrinho de Guilherme foi ele que comprou. “Comprei, mas a gente tem que ir ajeitando de vez em quando, mas tem uns caras que alugam e a gente tem que pagar uma parte do que ganha para o dono”, revela. Hoje, ele vende madeira para padarias, recolhe sucata para ferro-velho e faz frete. “Sempre tem o que fazer, na cidade toda, não tem um bairro especifico. Trabalho até sábado e descanso no domingo se não gasto muita energia”, conta rindo.

Sem dúvida, o trabalho é pesado. Lauriano da Silva é carrinheiro há oito anos. Ele começa a trabalhar às 6h e só volta para casa às 22h. “A noite tem muito trabalho, eu fico até tarde às vezes”, afirma. Além de vender sucata e também fazer frete, Lauriano – que fica na entrada da rodovia Augusto Montenegro, no entrocamento – transporta frutas, verduras e legumes. “A noite aqui perto tem uma feira e me pagam para pegar os alimentos e levar para os mercadinhos”, revela. Lauriano garante que lixo ele não pega mais. “Levar lixo é prejuízo para nós. A gente suja tudo, brigam com a gente e ainda podem levar nossa carroça. É melhor nem fazer, mas tem gente que pede”, afirma.

Alguns carrinheiros também usam seu instrumento de trabalho para levar a feira aos clientes. Anderson Nunes faz isso há cinco anos e garante cerca de R$ 50,00 todo dia. “Eu compro na feira e vendo limão, cheiro, pimentinha e o que mais eu tiver, tem feira que funciona de madrugada aí a gente compra e já sai pra vender cedo”, conta.

Sesan quer regularizar os carrilheiros e oferece cursos
A Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) realiza um projeto de regularização dos carrinheiros. De acordo com o secretário, Ivan Santos, Belém tem cerca de 1200 carrinheiros. “Quando temos contato com eles, oferecemos cursos de capacitação para que eles possam conseguir um emprego e orientamos sobre a questão do lixo”, conta.

A oferta é feita a todos, mas alguns carrinheiros preferem continuar no ramo. “Encaminhamos 84 para o mercado de trabalho formal, 26 que estavam sem documentação agora são cidadãos e os que se recusam aceitar a oportunidade o fazem porque preferem fazer seus próprios horários”, revela. Ainda que existam muitos carrinheiros, Ivan Santos acredita que eles estejam mais conscientes. “Já deixamos de ter tantas pessoas agredindo o meio ambiente dessa forma, a situação agora é que tornamos legal o que era ilegal porque a atitude deles mudou”, completa. (Diário do Pará)

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