A inflação na Região Metropolitana de Belém (RMB) apresentou taxa de 1,41% em fevereiro de 2012. Cinco dos nove grupos de despesa, porém, tiveram variação acima do índice geral - Despesas e Serviços Pessoais (5,42%), Móveis e Equipamentos Domésticos (3,47%), Educação, Leitura e Papelaria (2,11%), Comunicação (1,81%) e Transportes (1,65%). Os dados constam do Boletim do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado mensalmente pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp).
O objetivo do Idesp é medir as variações de preços dos bens e serviços no orçamento das famílias residentes na RMB, considerando os intervalos de rendimentos entre um e oito salários mínimos. O documento mostra ainda que os grupos Saúde e Cuidados Pessoas (1,34%) e Alimentação e Bebidas (0,95%) ficaram abaixo da média geral, enquanto os grupos Habitação (-0,21%) e Vestuário (-0,45%) apresentaram taxa negativa.
A alta no grupo Despesa e Serviços Pessoais (5,42%) é consequência, em parte, do reajuste do salário mínimo no mês anterior. Com relação aos aumentos nos “serviços”, os itens que mais influenciaram na taxa mensal foram funeral (43,44%), sapateiro (17,91%), barbeiro (12,50%), cabeleireiro (7,40%), máquina fotográfica (5,99%), CD (4,66%), manicure (2,84%), alimento de cães (2,39%) e bicicleta (2,32%).
Já no grupo Móveis e Equipamentos Domésticos, que registrou a taxa de 3,47%, o aumento de preços é reflexo do comércio varejista, que está aquecido pela redução do Imposto sobre Produtos industrializados (IPI) e pela estabilidade no emprego e o aumento da renda, o que faz com que a demanda por bens duráveis se intensifique. Entre os subitens que tiveram reajustes se destacam Eletrodoméstico e Equipamentos (6,43%) e Equipamentos Eletrônicos (12,43%). Outro subgrupo foi Utensílio, Enfeites e Decorações, com aumento de 14,05%.
No grupo Educação, Leitura e Papelaria, com 2,11%, a alta está relacionada à variação de preços nos subitens Papelaria (8,85%), com destaque para outros artigos e papelaria (20,92%) e caderno (8,54%). A manutenção dos preços nos itens de maior participação em relação ao grupo, como mensalidades e matrículas escolares, contribuiu para a taxa mensal.
Em Comunicação (1,81%), a taxa foi pressionada pelos itens aparelho de telefone convencional (29,28%) e aparelho de telefone celular (9,04%), e atenuada pelas taxas dos itens TV por assinatura e linha telefônica fixa e celular.
Já em Transportes (1,65%), o aumento foi impulsionado pelo item “Serviços”, com destaque para peças de automóvel e mão de obra, que estava com a demanda aquecida em virtude do período carnavalesco, em que os proprietários de veículos realizam revisões mecânicas. As principais variações ocorreram nos serviços pintura de auto (18,03%), motocicleta (16,14%) e automóvel usado (8,86%).
Medicamentos - No grupo Saúde e Cuidados Pessoais, a taxa de 1,34% foi influenciada pela variação nos preços dos medicamentos (2,26%), que representam 3,30% dos gastos das famílias com renda entre um e oito salários mínimos. Outros itens tiveram comportamento ascendente, como Óculos e Lentes (5,75%) e Atendimento Médico (2,86%).
O grupo Alimentação e Bebidas (0,95%), apesar de ter apresentado redução em relação ao mês anterior (1,40%) e ao índice geral, teve a segunda maior participação em pontos percentuais (0,32) em comparação ao índice, atrás apenas do grupo Despesa e Serviços Pessoais (0,45).
Na análise desagregada houve expressivos aumentos nos subitens Cereais, Leguminosas e Oleaginosas (5,52%) e Peixes e Crustáceos (2,19%). Com relação às carnes bovinas foi registrada uma deflação (-0,10%), o que amenizou o resultado final do grupo, por conta de sua elevada participação na estrutura de consumo, que é de 4,84%. Outros subitens que contribuíram significativamente para o recuo da inflação foram Hortaliças, Legumes e Verduras (-3,71%), Frutas (-0,40%), Farinha, Féculas e Massas, (-3,23%), Carnes e Peixes Industrializados (0,13%) e Aves e Ovos (-2,12).
Já a taxa negativa de Habitação (0,21%), segundo análise da equipe do Idesp, reflete os preços médios dos bens administrados pelo governo, como as tarifas de água e esgoto, e energia elétrica. Houve ainda decréscimo no preço médio do gás de bujão (-4,18%). Alguns itens dentro do grupo tiveram aumento nos seus preços médios, como aluguel (2,91%), reparos (2,36%) e condomínio (0,53%).
No grupo Vestuário (-0,45%), a taxa negativa pode ser atribuída às dificuldades sazonais que os estabelecimentos comerciais enfrentam nos dois primeiros meses do ano, devido à redução na procura, o que motiva os lojistas a realizarem promoções, detectadas nos itens Roupas Masculinas (-1,96%), Roupas Femininas (-0,86%), Calçados Masculinos (-7,88%) e Calçados Infantis (-0,52%). Os itens com altas variações de preços foram Tecidos e Armarinhos (15,68%) Joias e Bijuterias (5,28%) e Acessórios Femininos e Masculinos (1,90%).
A taxa acumulada do IPC/Idesp, relativa aos últimos 12 meses (março/2011 a fevereiro/2012) ficou em 9,68%. Já a cesta básica de fevereiro custou R$ 211,23, correspondendo a 33,96% do salário mínimo vigente, de R$ 622,00, apresentando variação de -0,56% em relação a janeiro de 2012, quando registrou taxa de 1,53%.
(Agência Pará)
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