Basta escolher um ponto fixo nas ruas de Belém e olhar em direção ao céu. Em muitos bairros da capital paraense o que se vê, além das nuvens e raios solares, é a imponência das torres e prédios que, cada vez mais, tomam conta do cenário. Ora já marcados pelo tempo através da pintura desgastada, ora ainda em tons de cinza provenientes do processo ainda em desenvolvimento da construção, são exemplos do panorama observado, hoje, na construção civil realizada em ritmo acelerado no Estado do Pará.
Um dos muitos moradores que, de repente, se tornaram vizinhos dos costumeiros prédios e edifícios em construção em Belém, o funcionário público João Francisco Ferreira só conseguiu pensar em uma palavra quando viu os andares serem levantados ao lado de sua casa: proteção. Morador há 27 anos de uma residência localizada na Rua dos Pariquis, João não nega a insegurança de ver mais um ‘arranha-céu’ - como ele mesmo costuma se referir - ser construído em sua rua. “Belém é uma cidade tão bonita, tão provinciana... não sei porque fazer tanto arranha-céu desse jeito. Não tem necessidade”.
Antes de enfrentar qualquer problema com a obra que já vem sendo realizada há quase dois anos, ele fez questão de procurar os órgãos competentes para se informar. “A primeira coisa que eu pensei foi em me proteger, então, fui aos órgãos que tratam disso para saber o que poderia fazer caso tivesse algum problema”.
Os problemas vieram até a pedagoga Socorro Bastos. Moradora da Travessa Humaitá, no bairro da Pedreira, ela acompanha de perto o crescimento de três edifícios no perímetro onde mora. A sua frente, do outro lado da rua, um tapume decorado já anuncia o edifício de luxo que está por vir. Mais adiantado, a poucos metros de sua casa, outro edifício já está em fase de acabamento. Mas é através do prédio em construção ao lado de sua casa que ela passou a conviver de forma mais intensa com as demandas da construção civil. “O meu maior problema é com os respingos que caem no meu quintal. Eles já tomaram providências, mas não deixa de ser um transtorno”.
Para além dos pequenos imprevistos solucionados pela empresa responsável pela construção do prédio, os recentes problemas denunciados por moradores e operários que se deparam com rachaduras e estalos em construções não deixam de preocupá-la. “Devido o que vem acontecendo, da realidade que vamos observando aqui em Belém com relação a construções, nós ficamos com o psicológico abalado”, desabafa. “A gente vai dormir e fica pensando: ‘Ai meu Deus, tem um prédio do lado da minha casa’. São muitos prédios sendo construído só aqui nesse perímetro”. Leia mais no Diário do Pará. (Diário do Pará)
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