Um detalhe está fazendo com que o açaí se torne cada vez mais distante da mesa do paraense: o preço. Em fevereiro, os consumidores chegaram a desembolsar R$ 13,98 pelo litro nos supermercados, segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA). Agora, no Ver-o-Peso, o litro do vinho do tipo “grosso” alcança os R$ 20, quatro vezes mais que o quilo do frango resfriado, vendido no mesmo local a R$ 5.
Vendedor de uma das duplas mais famosas na feira, o peixe frito com açaí, Moisés dos Santos, 31, conta que o período é de entressafra e o preço do fruto dispara e não deixa alternativa, a não ser repassar o reajuste ao consumidor. Na banca que ele mantém há 16 anos, uma porção de açaí (equivalente a pouco menos de meio litro) é vendida a R$ 6. “O litro do açaí popular tá custando R$ 10; o médio, R$ 15; e o grosso, que na época do verão é vendido a R$ 12, tá saindo por R$ 20. Está no limite do preço. Não deve aumentar mais que isso, mas até agosto o preço não deve baixar”, avalia o feirante.
A dona de casa Lucimar Moreira, 75, é uma típica paraense. Para ela, no almoço e no jantar a presença do açaí é fundamental, mas foram necessárias ‘adaptações’. “Se for para fazer a minha vontade, é um litro por refeição, mas agora tem que se contentar com meio”, afirma. Mas tem quem não abra mão da tradição. “A gente precisa sustentar o vício. Não tem essa de preço, tomo todo dia”, conta o mecânico Paulo Martins, 31.
Para o presidente da Associação dos Batedores de Açaí, Marivaldo Ferreira, a ausência de incentivo à produção é motivo das sucessivas altas. “O que acontece hoje é que nós ficamos na dependência da boa vontade do governo e dos produtores. O mercado está aberto à exportação, mas o crescimento da demanda precisa ser acompanhado do crescimento da oferta”, julga.
Marivaldo lembra que a época sempre se caracterizou pelo aumento de preços, mas diz que diferente de anos anteriores, a alta acumulada não faz o preço diminuir na mesma proporção. “Há quatro anos o preço subia, mas na época da safra caía de 60% a 70%. Hoje, a diminuição não passa dos 15%. As pessoas pensam que a gente tá ganhando muito dinheiro, mas não estamos. A nossa margem de lucro hoje gira em torno de 20%”, afirma. (Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar