Quando a maioria dos motoristas e ciclistas ainda saía de casa em direção ao trabalho, na manhã de ontem, o trânsito na avenida Almirante Barroso já não fluía. No sentido centro/BR-316, a fila de carros que iniciava ainda na rodovia, na altura do Km 2, já chegava até a Almirante com a Lomas Valentinas.
Segundo o assessor de imprensa da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Erlon Andrade, o congestionamento foi causado por um caminhão baú que ficou atravessado na pista. Ao tentar fazer o retorno na rodovia, uma das rodas do veículo teria desprendido do eixo. “Ele foi cruzar a pista próximo do Km 2 da BR e perdeu uma das rodas, então, só estava passando um carro por vez pelo lado”, explica. “Ele ficou mais de uma hora parado e tivemos que enviar um guincho”, disse a policial rodoviária federal Marta Amaral.
Apesar de ter sido solucionado por volta das 10h, quem acompanhou o transtorno causado pelo incidente se surpreendeu com a fila de carros que se formou ao longo da rodovia. “Estava horrível. Quase ninguém conseguia passar”, conta o porteiro de uma empresa de transporte que fica próximo ao local do acidente, Miguel Antônio. “Mas foi muito engarrafamento mesmo”.
Antes de ser solucionado, o problema ainda causou engarrafamento em algumas vias de escoamento que têm ligação com a Almirante. Paralela, a avenida João Paulo II já mantinha um trânsito lento, assim como a travessa Lomas Valentinas e a avenida Duque de Caxias.
BRT
Unido ao acidente que causou o engarrafamento, as obras de implantação do BRT (Bus Rapid Transit) iniciadas na manhã de ontem também ajudaram a diminuir a velocidade do tráfego. Passado o congestionamento mais intenso, a pista no sentido BR-316/Centro, que ainda era preparada pelos operários para receber as máquinas, já estava estreita no perímetro entre as avenidas Júlio César e Tavares Bastos. Iniciando no meio do quarteirão, os cones que limitavam o espaço de trânsito na via pegavam alguns motoristas de surpresa, quando já estavam em cima do material destinado à obra.
Diferente do anunciado pela Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) durante o início da obra, por volta das 10h30 de ontem apenas uma pista da avenida Augusto Montenegro estava sendo preparada. No sentido Entroncamento/Icoaraci, uma pá mecânica já cavava uma espécie de ‘vala’ bem ao lado do canteiro central, porém, no sentido contrário, nenhuma obra começara.
Tarde foi mais tranquila
Acostumado com o movimento da via, o autônomo Endinardo Farias estranhou a tranquilidade observada já no meio da manhã. “Até achei que ia engarrafar, mas desde ontem, quando começaram a obra [do BRT], não engarrafou fora do normal”, disse.
Já o mototaxista Rogério Borges afirma ter acompanhado um engarrafamento fora do normal logo no início do dia: até mesmo as ruas que servem de escoamento estavam com um fluxo intenso de veículos. “De manhã cedo engarrafou um bocado. A rua da Marinha estava horrível. Já estou esperando o mesmo engarrafamento de tarde, quando todo mundo voltar para casa”, disse.
Já à tarde o fluxo seguiu normalmente ao longo das avenidas Almirante Barroso e Augusto Montenegro. Nem mesmo o tempo nublado e a chuva fina atrapalharam o trânsito até as 18h.
No meio da tarde, apesar das pistas interditadas, pouco movimento de trabalho era observado no trecho entre a Tavares Bastos e a Júlio César, na Almirante Barroso. Fugindo do “chuvisco” que caía por volta das 15h, muitos trabalhadores do BRT ficaram abrigados sob uma espécie de “tenda” montada no local. No segundo dia de obras, o pedreiro Edmar Chaves, 55, que diariamente percorre toda a extensão da avenida e boa parte da Augusto Montenegro, mostrava dúvidas em relação ao projeto. “Na Augusto Montenegro tem uma máquina trabalhando, mas na Almirante não tem nada. Acho que interditaram para a gente já ir se acostumando”, afirmou.
Mas o empresário Reinaldo Cunha, 47, suscitou outra questão. “Estão falando em 18 meses de obra, mas é nunca que vai ser isso. Basta olhar a obra do pórtico. Algo bem mais simples que demorou um tempão para ficar pronto”, apontou.
Através de nota, a assessoria da Sesan informou que durante esses dois primeiros dias de obras, técnicos da empresa responsável realizam o monitoramento do terreno por georadar, uma espécie de ultrassom, que informa a espessura das placas de concreto ao longo da via. A medida antecipa a instalação dos dispositivos metálicos que dividirão o sistema BRT da via normal e que começam a ser implementados a partir de hoje. Com a presença de máquinas na Almirante Barroso, a previsão é que o trânsito fique um pouco mais lento exigindo dos condutores uma boa dose de paciência nos próximos dias. (Diário do Pará)
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