Os médicos anestesiologistas que prestam serviço para a Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) por meio da Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas do Estado do Pará (Coopanest-PA) suspenderam, desde a última segunda-feira, o atendimento de cirurgias eletivas para os pacientes atendidos pelo SUS nos hospitais ligados à prefeitura.
Segundo o diretor superintendente da cooperativa, Mariano Macedo, se dentro de um mês a Sesma não pagar os atrasados e negociar um aumento dos valores cobrados por cirurgia, a paralisação vai chegar novamente à urgência e emergência, como já aconteceu outras vezes.
“Os anestesiologistas estão sem receber há meses. Eles (Sesma) foram avisados, demos um prazo de 30 dias para se prepararem porque, se não pagarem, vamos parar a urgência também”, afirmou Macedo. Segundo ele, há 22 anos não há um reajuste nos valores pagos aos anestesiologistas por cirurgias que variam hoje entre R$ 25 e até R$ 11 e ainda tem o desconto dos impostos que leva 35% desses valores. “É melhor ser cabeleireiro, que cobra R$ 120 por pintura e não paga imposto”.
ASSOCIADOS
A cooperativa tem hoje 204 médicos associados, dos quais cerca de 90% trabalham para a prefeitura. Segundo Macedo, “eles alegam que não têm dinheiro para pagar os médicos, mas podem pagar outras coisas”. Os anestesiologistas querem um reajuste de 200% nos valores pagos por cirurgia, a exemplo do acordo feito entre a prefeitura e o Estado para o aumento dos ortopedistas.
“Pelo menos é uma forma de eles nos respeitarem”, diz Macedo. Ele garantiu que a greve nos hospitais ligados à Sesma será radicalizada “até eles pagarem os atrasados e sentar na mesa para negociar o reajuste. Ninguém é obrigado a trabalhar de graça”.
A Assessoria da Sesma informou que o setor administrativo da secretaria está fazendo um levantamento da situação e que a prefeitura deverá se pronunciar somente hoje sobre o assunto.
Secretarias chegam a acordo sobre recursos
A Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) e a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) assinaram acordo que prevê uma série de medidas para evitar novas dívidas entre o Estado e o município na área da saúde. Serão feitos ajustes nos repasses de recursos e será revista a forma de monitoramento do desempenho das unidades de saúde. A reunião foi realizada ontem na sede do Ministério Público Federal. Os participantes criaram um grupo de trabalho para discutir, fiscalizar e aprimorar as políticas de saúde no Pará.
Entre as medidas estão o aumento de R$ 3,5 milhões para investimento pela Sesma em serviços de alta e média complexidade e aumento de R$ 200 mil no valor máximo para pagamento, pela Sesma, a cooperativas médicas. Os reajustes serão providenciados pela Sespa até 15 de abril. Nesse mesmo prazo a Sesma deverá pagar ao Estado o que deve à Santa Casa e ao hospital regional Abelardo Santos.
Também ficou acertado que os atendimentos serão registrados e informados ao Ministério da Saúde para que o governo federal possa ter estatísticas confiáveis sobre a situação da saúde em Belém. Até a assinatura do acordo entre as secretarias, caso o número de atendimentos superasse o previsto, os atendimentos excedentes não eram comunicados ao Ministério da Saúde.
As secretarias comprometeram-se a apresentar, até 15 de abril, um plano de trabalho para a instalação do sistema informatizado de gerenciamento dos atendimentos hospitalares. Além de tornar mais eficiente a regulação, ou seja, a ordenação do acesso aos serviços de assistência à saúde, a informatização permite maior transparência e controle sobre os recursos investidos na área. (Diário do Pará)
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