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Programação marca o Dia de Combate à Tuberculose

O “II Seminário Tuberculose: Conhecer para Controlar”, realizado nesta sexta-feira (23), no auditório do Polícia Civil, em Belém, marcou o início das mobilizações em torno do Dia Mundial de Combate à Tuberculose, que será lembrado neste sábado (24).  Pres

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O “II Seminário Tuberculose: Conhecer para Controlar”, realizado nesta sexta-feira (23), no auditório do Polícia Civil, em Belém, marcou o início das mobilizações em torno do Dia Mundial de Combate à Tuberculose, que será lembrado neste sábado (24). Prestigiado por uma plateia com cerca de 200 pessoas, entre estudantes de cursos ligados à saúde e profissionais da Atenção Básica e de referência, o evento serviu de alerta para uma doença que ainda registra mais de 3 mil casos por ano só no Pará, em grande parte associada à transmissão do HIV, o vírus da Aids.

“É sempre bom fazer esse alerta porque a tuberculose é uma doença historicamente resistente. Nunca é demais conscientizar toda a população da importância de procurar ajuda médica, pois com tratamento adequado a tuberculose tem cura”, diz a coordenadora estadual de Vigilância em Saúde, Rosiana Nobre.

Durante o seminário, a médica pneumologista Ninarosa Calzavara Cardoso, coordenadora do Programa de Tuberculose Multirresistente do Hospital Barros Barreto e membro do Comitê Técnico Assessor em Tuberculose, do Ministério da Saúde (MS), falou sobre a importância do trabalho diário no combate à doença e dos procedimentos e medidas que devem ser tomadas antes, durante e depois do atendimento ao paciente nos serviços de saúde. “Eventos como o de hoje são importantes, mas devemos sempre lembrar que a tuberculose não é uma doença controlada e campanhas de informação, prevenção e educação devem ser feitas diariamente”, disse.

PANORAMA

De acordo com a coordenadora estadual do Programa de Combate à Tuberculose, Lúcia Monteiro, o Estado registra, em média, cerca de 3.300 casos novos por ano e possui sete municípios prioritários para o controle da tuberculose pelo Ministério da Saúde: Abaetetuba, Ananindeua, Belém, Bragança, Castanhal, Marituba e Santarém, inseridos em uma lista de 181 municípios em todo o Brasil.

Em 2011 foram registrados 3.637 casos novos de todas as formas de Tuberculose no Estado, que por sua vez vem mantendo ao longo dos últimos anos uma média de cura de 73% e abandono de tratamento em torno de 10%, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

O Pará ocupa, atualmente, o 3º lugar em incidência no país, com uma taxa de 47,9 casos a cada 100 mil habitantes, configurando-se como área endêmica, ou seja, apresentando casos durante todo o ano e independente de qualquer fator externo. A mortalidade no Pará em 2010 foi de 2,2 óbitos/100.000 hab, menor que a taxa nacional, que é de 2,4 óbitos/100.000 hab, comprovando que o poder de letalidade da doença quando os casos são diagnosticados tardiamente.

Aliados no combate à doença no Estado, o Programa de Controle da Tuberculose da Sespa e o Comitê Metropolitano de Controle da Tuberculose tem como objetivo maior a descoberta de casos para tratá-los corretamente, eliminando as fontes de infecção e quebrando a cadeia de transmissão. O Estado hoje descobre cerca de 70% dos casos programados para cada ano, segundo o que preconiza o Programa Nacional, e os esforços despendidos tem sido voltados para o alcance das metas de cura de no mínimo 85% e abandono a menos de 5%.

Além das iniciativas da Sespa, as ações contra a doença no estado vêm sendo beneficiadas com subsídios do Fundo Global (FG), instância internacional que apoia ações de controle de doenças como a aids, malária e tuberculose. No Brasil foram contemplados com os investimentos do Fundo 57 municípios que concentram as maiores cargas da doença.

Conforme explica o coordenador estadual do Comitê Metropolitano, Antonio Ernandes Costa, Ananindeua e Belém recebem, desde 2007, incentivos em forma de capacitações, equipamentos e insumos que apoiam os programas municipais de controle da doença. “Encerraremos nossas atividades em abril e o Comitê deixará importantes contribuições que ajudaram a alicerçar novos pilares de apoio às ações do programa”, explica Antonio Ernandes.

SINTOMAS

Causada pelo microorganismo Mycobacterium tuberculosis, a tuberculose afeta pulmões, ossos, rins e meninges. Entre os sintomas estão tosse seca e contínua, tosse com pus ou sangue no catarro, febre baixa, suores noturnos, fraqueza, cansaço, perda de peso, dificuldade para respirar e dor no peito. Se esses sintomas persistirem por mais de 15 dias é indicado procurar ajuda especializada.

Atualmente a doença pode ser prevenida com a aplicação da vacina BCG aplicada no primeiro mês de vida. Desde 2011, uma medida do Governo Federal estendeu a vacinação até os 19 anos. Ainda assim, a recomendação é que, ao suspeitar de tuberculose, qualquer pessoa deve procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima da residência para realizar o exame por escarro, que é o primeiro a ser solicitado pelos médicos em suspeita. O tratamento é gratuito, dura cerca de seis meses e é mantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Se for seguido à risca, o tratamento pode garantir cura em 100% dos casos. Depois de duas ou três semanas desde seu início, o paciente já sente melhoria nas suas condições de saúde e esse é o momento em que a maioria dos doentes abandona os medicamentos. Por isso é importante que o paciente prossiga com o tratamento até o fim, pois o abandono deixa a pessoa mais frágil e ainda corre o risco de transmitir a doença para outros indivíduos.

Neste domingo (25), integrantes do Comitê Metropolitano de Controle da Tuberculose realizarão na praça da República, em Belém, mais ações alusivas de controle à doença. (Agência Pará)

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