Por enquanto, a micro-empresária Renata Fares ainda não sentiu os impactos das obras do BRT (ônibus de trânsito rápido) na avenida Centenário, trajeto que percorre de carro diariamente para ira da casa, na avenida Augusto Montenegro, para o trabalho, no centro de Belém. “Trabalho e estudo no centro e é o caminho que eu uso sempre”.
A avenida foi escolhida pela Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel) como uma das rotas alternativas para o fluxo de veículos das avenidas Almirante Barroso e Augusto Montenegro. As obras do BRT começaram no início do ano, no Entroncamento. No ultimo dia 20, a prefeitura de Belém deu início a outra fase do projeto, que consiste na interdição das vias, de uma faixa e meia de trânsito. Desde então, o já complicado trânsito vem convivendo com constantes engarrafamentos.
“Na nossa avaliação, as mudanças estão sendo positivas. Nos horários de pico está havendo congestionamento, mas o trânsito está fluindo. De acordo com nosso levantamento mais recente, a avenida Centenário tem capacidade de absorver todo o fluxo dos motoristas da Augusto Montenegro”, garante Elias Jardim, diretor de trânsito da CTBel.
A orientação do órgão de trânsito aos condutores que se deslocam de Icoaraci sentido centro é que utilizem a rodovia Arthur Bernardes, e aos condutores que moram ao longo da Augusto Montenegro, que utilizem a avenida Centenário. Na Almirante Barroso, as obras se concentram entre a Tavares Bastos e Júlio César. Os motoristas terão como alternativas para chegar ao centro a Tavares Bastos no sentido João Paulo II, e a Pedro Álvares Cabral.
MUDANÇA
A equipe do DIÁRIO circulou por essas vias, na manhã de ontem, para tentar descobrir junto à população a eficiência das mudanças propostas pela prefeitura. Apesar da avaliação positiva da avenida Centenário, parte dessas novas rotas parecem não estar preparadas para suportar o aumento de fluxo de veículos, como atestam motoristas e pedestres.
“Deu pra perceber uma mudança, mas foi pequena. O fluxo ficou mais intenso no final da manhã, coisa que não acontecia antes”, diz o técnico em refrigeração Danilo Pedrosa, sobre a Arthur Bernardes. A contadora Keula Lima faz uma critica semelhante. “A Senador Lemos está irreconhecível. A partir das 17 h passa a ter engarrafamento. Depois das 18h, 19h fica intrafegável”.
Na Pedro Alvares Cabral, um velho problema vem potencializando os problemas no trânsito: a circulação de carretas. Os veículos usam a rota de forma intensa. Muitos deles estacionam ao longo da pista, impedindo ainda mais a circulação. “A Pedro Alvares Cabral não costumava ficar engarrafada desse jeito. Agora, de manhã e à tarde, o transito está ficando complicado. Acho que tem muito a ver com o numero alto de caminhões pesados”, sugere o motorista Luis Pantoja.
A João Paulo II apresentou trânsito lento pela manhã, o que não é comum, segundo moradores. O borracheiro José Santos esperou um pouco mais de 30 minutos pelo ônibus. Se antes já era complicado porque só tem uma linha de ônibus que circula aqui, a Curió/ João Paulo II, agora tá pior”.
ÔNIBUS
O diretor de trânsito da CTBel afirma que o trânsito vai continuar lento na Almirante Barroso por causa das obras do BRT. “A medida que as obras vão avançando, a Almirante Barroso e a Augusto Montenegro deixarão de ser uma opção para o motorista. Em relação a Pedro Alvares Cabral e a João Paulo II, ainda não temos estudos que indiquem se elas poderão comportar de forma satisfatória o fluxo a mais. Mas o monitoramento dos primeiros dias de desvio para aquelas rotas mostra resultados satisfatórios”, afirma.
“A prioridade é não mexer com os usuários de transporte público neste primeiro momento. Mas futuramente teremos que desviar linhas, propor mudanças de rotas para os ônibus”, adianta. (Diário do Pará)
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