Amanhã o Ver-o-Peso completa 385 anos, mas a programação em homenagem à data começou ontem, quando o espaço, que é apenas onze anos mais novo que Belém, enfeitou-se ainda mais para receber os visitantes. As atividades começaram com a 3º edição dos Jogos do Ver-o-Peso, com modalidades desportivas como colheita de açaí, descascamento de castanha-do-pará e retirada de escamas de peixe, além da eleição da Miss Ver-o-Peso, a novidade da programação deste ano. Também houve programação cultural, com apresentação do grupo “Frutos do Pará” e show da cantora Cleide Moraes.
Ainda era cedo quando Irene das Mercês, 57, espalhou a graça que lhe é peculiar pelos quatro cantos da feira. Bem trajada e com uma maquiagem marcante, ela trazia nas mãos e no adorno da cabeça as essências que a fazem famosa no lugar e que acabaram lhe dando o inédito título. “Estou muito feliz, acho que nunca fiquei tão emocionada. Vim para a disputa apenas acreditando em Deus e agora sou miss”, resumiu Irene, que concorreu representando a equipe “Castanha-do-pará”.
A história da nova representante do Ver-o-Peso se mistura com a da própria feira. O codinome não deixa dúvida: Cheirosinha. “Temos uma ligação muito antiga com o Ver-o-Peso. Minha avó foi quem começou o trabalho, quando ainda nem era barraca. Depois passou para a minha mãe, ‘Dona Cheirosa’, aí veio para mim e para a minha irmã. Hoje, nem sei dar conta de quantas pessoas da família trabalham aqui. O Ver-o-Peso é nossa vida”, afirma Irene Cheirosinha, como é mais conhecida.
Na disputa que avaliou simpatia, desembaraço e originalidade no traje, Irene concorreu com outras cinco candidatas. Morena. Cabocla, Loira. De 15 a 63 anos. Uma diversidade que só o Ver-o-Peso carrega. “É um concurso que, a meu ver, exalta a riqueza cultural desse povo. É a primeira vez que venho aqui e não poderia ter escolhido melhor data. Está de parabéns o Ver-o-Peso”, disse a mineira Flávia Campos, 35, acompanhada da sobrinha Eliana Campos, 17, que não escondeu a frustração. “A Cheirosinha é um encanto, mas eu estava torcendo para a que ficou com o título de Princesa, ela arrasou, não fica devendo em nada”, opinou.
Para o presidente da Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel), Carlos Amílcar, a programação é uma forma justa de homenagear homens e mulheres que constroem a história do principal cartão postal de Belém. “Estamos brindando essa miscelânea cultural que é o Ver-o-Peso, que encanta a todos com suas cores, cheiros e sabores, sem esquecer dessas pessoas que efetivamente sustentam esse lugar”.
JOGOS
Além da graça e elegância das candidatas à miss, quem parou no Ver-o-Peso para degustar o tradicional “açaí com peixe frito” também pôde se divertir com as habilidades características dos feirantes. “Os que descamaram peixe foram muito rápidos. Foi em um piscar de olhos. Incrível. Isso em casa dá tanto trabalho... eles podiam ensinar a técnica!”, opinou a funcionária pública Elenira Corrêa.
Divididos em seis equipes, cerca de 200 participantes disputaram sete provas ligadas às suas atividades cotidianas, como descascar mandioca e castanha-do-pará, despolpar cupuaçu, pescar, transportar açaí, preparar o melhor prato regional, além de descamar peixe.
Apesar de não mostrar segurança com a vitória, ao fim da prova de descascar castanhas, a feirante Maridalva Santos, 40, dizia-se feliz em ter participado da homenagem à feira. “Não sei se ganhei, porque a gente já descasca na maquininha. Tenho dois anos de experiência, mas dá para ter uma boa técnica. De qualquer jeito, o mais o importante para mim é ter participado. Estou muito feliz”, declarou. Concorrente direto, Josinaldo Antunes, 25, estava mais confiante. “O prêmio será meu, minha técnica é muito apurada. Agora é só esperar para correr para o abraço”, afirmou o feirante, que participou dos jogos pela primeira vez e acabou levando o prêmio para casa. (Diário do Pará)
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