Mais uma etapa para constituição da Casa Rosada, prédio histórico localizado na Cidade Velha, como espaço cultural de Belém, foi concluída na última sexta-feira (23), com a inauguração da Sala Landi e exposição, pela primeira vez, de um livro histórico com gravuras e organização atribuída ao arquiteto italiano Antônio Landi. A restauração do livro, intitulado "Raccolta di alcune facciate di Palazzi e Cortili de più riguardevoli di Bologna", assim como a reforma do prédio, é uma iniciativa do Grupo Alubar.
A inauguração da Sala Landi, que manterá guardado o livro, teve a presença de representantes de Governo do Estado, prefeitura, artistas e demais convidados. A publicação trata-se de um álbum com 59 gravuras feitas à mão pelo próprio Landi. Os desenhos são representações de plantas baixas e fachadas de monumentos arquitetônicos de diversos arquitetos italianos, como Barozzio da Vignola, Floriano Ambrosini, Antonio Torri, Albertoni e Domenico Tibaldi, entre outros. Acredita-se que o material era utilizado durante as aulas de Landi.
O livro é uma peça original e ainda não teve a sua idade revelada, mas os restauradores estimam que a obra tenha sido impressa em meados do século XVIII. “Este é um livro original que nós conseguimos recuperar num antiquário de Milão. Trouxemos para cá (Belém) onde foi restaurado e acomodado da melhor forma. Agora podemos apreciar esta peça que está exposta nas condições ideais para a sua conservação, na Sala Landi” explicou José Maria, presidente do Grupo Alubar.
Para a pesquisadora paraense, Idanise Sant’Ana Azevedo, que dedicou parte de suas pesquisas a desvendar os mistérios da arquitetura italiana, o livro é mais uma prova do talento de Landi. “O Landi era um gravador excepcional. Ou seja, ele desenhava os prédios e fachadas com uma qualidade técnica impecável, podemos ver que os desenhos não possuem nenhum traço de sujeira ou borrão. Outro fato interessante é perceber nos desenhos de outros artistas que ele registrou os traços que futuramente fariam parte de sua própria obra, como as cúpulas e adornos de diversas fachadas”, explica.
O livro foi colocado no centro da Sala Landi, dentro de uma vitrine reforçada, apenas ao alcance dos olhos, porém, quem quiser conferir a peça poderá “folhear” a versão virtual. Todas as páginas foram digitalizadas e transportadas para um totem, uma espécie de tela na qual o visitante move as páginas virtuais com o toque dos dedos, simulando um livro de verdade.
Para Sérgio Mello, diretor do Museu Histórico do Estado do Pará, a reforma da Casa Rosada é um incentivo para valorização do patrimônio histórico de Belém. “É muito bom ver empresas preocupadas com a memória da nossa cidade. Se nós imaginarmos todo este ciclo histórico no qual a Casa Rosada faz parte e agora ver este espaço sendo recuperado, é uma oportunidade de transitarmos na própria história. Por muito tempo este prédio não era olhado com a devida atenção, mas agora ele recebe o valor que merece e isso é um incentivo para a recuperação de toda esta área histórica”, ressaltou.
Em breve, a Casa Rosada receberá visitantes que conhecerão o livro e o acervo proposto pelos restauradores. “Ainda vamos inaugurar outras salas (a Sala Bolonha já foi inaugurada em 2011) e também pretendemos abrir uma exposição permanente com algumas peças achadas durante escavações no terreno da Casa Rosada. Estas peças pertencem à União e foram catalogadas pelo Museu Paraense Emílio Goeldi. Quando todos estes processos, envolvendo as salas e as peças estiverem alinhados, daremos início a uma nova fase, na qual poderemos receber visitantes”, observou José Maria.
(Ascom Alubar)
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