De manhã cedo, uma grande confusão. O cenário foi a rua Alacid Nunes, no bairro Castanheira, estacionamento de micro-ônibus da linha Castanheira-Iguatemi e via de acesso às casas de mais de 20 famílias. A relação entre os moradores e os rodoviários já andava tensa, mas depois de ontem a situação ficou mais grave. Os ânimos se acirraram e a manhã terminou em pancadaria, ameaças e 25 veículos parados em frente às residências. Com a falta de solução para o problema, a confusão se anuncia novamente.
O final da linha se “hospedou” na rua há três meses, quando saiu da frente do Shopping Castanheira, na BR-316. Segundo os rodoviários, a medida foi tomada porque multas eram lançadas a eles todos os dias, pela Polícia Rodoviária Federal, por estacionarem por muito tempo na rodovia. “Como não dava mais para a gente ficar lá, a Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel) nos mandou para essa rua e disse que tínhamos autorização para ficar aqui”, afirmou o rodoviário Elias Jr. No final da rua há um bar que oferece a estrutura necessária para os motoristas durante o horário de serviço.
Para o diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Estado do Pará, Marcelo Mardock, a necessidade de um estacionamento é real. “Não somos contra os moradores, mas as coisas precisam ser feitas corretamente. Os rodoviários não têm como sair daqui assim. Quando eles vieram para cá, o Setransbel (sindicato patronal) disse que ia arranjar um galpão para os micro-ônibus, mas ainda não arranjou”, revela.
Na manhã de ontem, os rodoviários foram surpreendidos pelo fechamento de uma parte da via, de onde não poderiam mais passar. Alguns moradores se organizaram e instalaram dois canos na pista, restringindo a largura dos carros que poderiam chegar até o final da rua. “Que está errado, está. Mas também está errado não conseguirmos contato com a CTBel; também está errado uma rua virar estacionamento e os motoristas nos desrespeitarem. Tem muita coisa errada”, reclama Bruno Dourado, morador da rua há 15 anos. Ele conta que o tumulto começou cedo. “Quando eles viram que não iam passar dos canos que botamos, pararam um ônibus na passagem de um jeito que os moradores não podiam sair”.
Mas as brigas não começaram ontem. Segundo os moradores, os problemas são enfrentados todos os dias. “Desde que eles vieram para cá, como a rua é estreita, já quebraram parte dela, já bateram carro, trancaram nossas garagens”, conta indignado Paulo Chagas, morador do local há 54 anos. “Hoje de manhã, a CTBel disse que eles não têm autorização para ficar aqui”, diz. Raimundo Nonato, também morador, garante que a briga é diária. “Todo dia é um estresse, queremos sair de casa e eles ficam empatando a saída, temos que ir sempre pedir para retirarem os micro-ônibus para sairmos. Diariamente tem de 15 a 20 desses aqui parados”, argumenta. O número, de acordo com os rodoviários, é outro. “Ficam apenas três a quatro ônibus parados aqui por vez e não ficam muito tempo”, rebate o motorista Elias Jr.
Segundo Bruno Dourado, a situação se agravou quando alguns rodoviários o ameaçaram. “Já disseram que iam me bater, me matar. Aqui ninguém quer brigar, só queremos ter o direito de entrar e sair de casa quando quisermos”, afirma. (Diário do Pará)
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