Para algumas pessoas, a sexta-feira Santa, o sábado de Aleluia e Páscoa deixaram de representar um momento de fé, introspecção e reflexão. Muitos não mantêm vivas a tradição de preservar silêncio, o jejum e as orações na Sexta-feira Santa, dia que se relembra a paixão e a morte de Jesus Cristo. Nesses casos, o que se vê é uma corrida desenfreada para os balneários, bares abertos e festas em vários lugares.
A costureira Dorotéia Marques, de 68 anos, acordou ontem por volta de 5h para acompanhar a procissão do Senhor dos Passos. Seguiu em jejum para a Basílica de Nazaré. “Não costumava acompanhar, mas há quase 20 anos eu passei a seguir a procissão”, afirma.
Depois do almoço,ela seguiu novamente para a paróquia a qual frequenta e acompanhou a liturgia da Paixão de Cristo. A costureira sabe que hoje os tempos são outros, tradições se perdem, novas religiões surgem e adoração de muitos são meramente materiais. “Hoje o mundo está muito mudado. O que os jovens de hoje pensam é no feriado e nas festas. Rezar que é bom, agradecer a Deus, são muito poucos os que ainda fazem isso”, ressalta.
Em outro ponto da cidade o encarregado de obras e também católico Hamilton Nunes, de 42 anos, reconhecia sua falta com a fé à tradição de sua religião. Consciente ele comentou as mudanças do comportamento dos próprios fiéis. “Acho que é porque hoje existem muitas religiões. Não guardam mais os dias e para os jovens é só badalação. Antigamente, desde a Quinta-feira Santa, tudo ficava parado. As pessoas não rezam mais e não seguem as tradições. Eu mesmo sou prova disso. Apesar de não estar bebendo estou aqui (no bar) acompanhando uma pessoa”, comentou.
Léia Souza, 28, confeiteira, também disse que não segue certas tradições, pois é evangélica e também se encontra afastada da igreja. “Antigamente a cidade ficava parada. Eu mesmo não me guardo. Estou afastada da igreja e não tenho por que seguir certas tradições”, afirmou. (Diário do Pará)
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