Não é preciso data especial para a família Araújo se reunir. “A gente se vê sempre. Final de semana, qualquer feriado, tá todo mundo reunido”, conta a pedagoga Ana Rita Araújo, 41 anos. Aos domingos, a programação de qualquer integrante da extensa prole de dona Ruth e seu Paulo tem endereço definido, o número 2259 da travessa 9 de janeiro, no bairro da Cremação, em Belém. “Nem precisa avisar, todo mundo já sabe e vem pra cá”, diz o patriarca de uma geração de sete filhos, doze netos e uma bisneta, seu Paulo Araújo, 80 anos.
Dia dos Pais, Dia das Mães, Natal, Círio, Festa Junina e Páscoa só aumentam os motivos para o lugar ficar repleto de gente. Os parentes vão chegando, chegando e somam 30, 40, 50 pessoas. São filhos netos, bisnetos, irmãos, sobrinhos, primos, genros, noras, agregados e afins. “Eu não gosto de casa vazia”, afirma dona Ruth Araújo, 79 anos. Na mesa não cabe todo mundo, como a matriarca gostaria, e a parentada senta para comer em outras partes da residência. Na sala, no pátio, ao redor da mesa, onde é possível. O que importa é ficar perto. “Nosso almoço é todo mundo junto”, comenta dona Ruth. “É tradição. Desde a época do meu avô é assim, a família toda reunida”, explica a filha de dona Ruth, Ana Rita.Os netos seguem os valores.
Gostam da atmosfera em família. Não parecem querer estar em outro lugar. “A gente vive muito bem aqui. Moro com ela desde pequena. É minha casa aqui. No domingo a gente se reúne e é muito bom. Mas nessas datas muda tudo, a gente fica mais alegre, mais feliz, é mais especial”, avalia a neta Everliane, de 21 anos.
Também faz parte da tradição a fartura de comida. No cardápio do domingo de páscoa, estrogonofe de camarão, lasanha de frango, suflê de bacalhau, frango no tucupi e de sobremesa, bolo floresta negra, cremes de chocolate e bacuri. “Falo para minhas amigas que venho para o restaurante quando venho pra cá. Adoro, nem cozinho em casa nesse dia. Aqui é sempre assim, mais de um tipo de comida no cardápio”, garante a nora Edem Carla, 38.
Quando a família inteira, filhos, netos, sobrinhos, bisnetos, irmãos e agregados está completa, dona Ruth e seu Paulo chamam todos para a cozinha. Ao redor da mesa farta, a filha Ana Teresa, a pedido da mãe, compartilha uma prece. Lembra o sentido da Páscoa além da troca de ovos de chocolate. “Ela representa o renascimento de Jesus, e que esse momento seja o renascimento das nossas ideias, dos nossos valores, da união da nossa família. E que essa união permaneça”, deseja. (Diário do Pará)
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